quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Estação da Luz: a evolução e a tradição setentista juntas no novo álbum, "O Segundo"


Como já se ouviu muitas vezes em conceitos futebolísticos, em time que está ganhando não se mexe. Pois é. Pegando carona nesse clichê, poderíamos aplicar tal conceito ao que acontece à banda paulista A Estação da Luz (São José do Rio Preto/SP). Após lançar seu primeiro e icônico disco, "Estação da Luz", o Estação solta agora seu segundo álbum, simplesmente intitulado "O Segundo".  E nesse caso, não só o time não se alterou como também se manteve o esquema tático. Isso porque a banda manteve a sonoridade na qual estreou em gravações e na qual continua se desenvolvendo. Ancorada por sonoridades setentistas e com elementos de gente como Rita Lee, Beatles, MPB, e bandas clássicas nacionais dos 70 como O Terço e Casa das Máquinas, o Estação parece que conseguiu algo sonhado por muitas das bandas da atualidade: criar uma cara própria. Uma marca que identifique sua música e que a  se associe a seu nome. Isso mesmo, porque, se alguém ouvir suas novas músicas sem saber quem as interprete vai lembrar do Estação. É uma situação rara hoje em dia. A mistura da suavidade vocal junto à cozinha, baixo/batera, enraizada à variedade clássica do rock 70, ao teclado com efeitos psicodélicos e graves da atmosfera vanguardista e aos fraseados de guitarra hora colados em Beatles, hora com pés no modernismo, fazem com que o som que o Estação faz se torne ao mesmo tempo atual e saudosista, e principalmente, se situe no território do agradável.


"O Segundo"

O álbum foi gravado e mixado pela própria banda, em seu estúdio, o histórico Área 13. A capa é de autoria do excepcional designer brasileiro Fábio Matta.


O título do disco é óbvio que é auto explicativo. Quando lançou "Estação da Luz", em 2012, a banda veio com uma proposta saudável e admirável de fazer o antigo soar atual, soar agradável, na ideia de que a música rock é atemporal. E a sequência mostra tratar-se da filosofia musical da trupe. Não há música antiga. A sonoridade psicodélica e poética dos 70 pode ser atual, pode ser contemporânea.

Quando se ouve "Segundo" sentimos o Estação à vontade com suas propostas. Não é algo forçado ou planejado para soar assim ou assado. É assim que o quinteto quer expressar sua música. Sobre temas que versam sobre romantismo ou existencialismo se fazem como esteio uma estrutura musical calcada no rock, na MPB e em passagens que flertam com o jazz.

Algumas faixas incursionam (e muito bem) elementos do rock progressivo, como na instrumental "Papo Furado" (guitarras com efeitos dos 70 e o baixo num ótimo contraponto), a mais viajante do disco, "Na Contra Mão" (o teclado nos remete a algo de Jethro Tull), com os backing vocals característicos da banda, e "Real Loucura" (muita referência a jazz pela levada da bateria e a participação de sax - cortesia do músico rio-pretense Victor Hugo - na parte final da música) com sua letra carregada de psicodelismo.

"Sem Direção" abre o disco e cativa pelo refrão que gruda na mente. "Pensar em Você (Tudo é Saudade)" tem um doce apelo radiofônico (se é que pudemos usar esse termo hoje em dia, em se tratando de rock).  "Dia de Domingo" é cantada por Cristhiano (guitar), sendo a mais enérgica do disco e onde o teclado conversa intensamente com baixo e guitarra e a batera mais rápida. "O Segundo" (a faixa), conta com uma breve participação canina ao fundo (alguns latidos) e  intercala momentos suaves com quebradas melódicas no refrão, lembrando muito o trabalho do primeiro disco.

"Meu Amigo George" traz boas referências de Beatles, principalmente nas influências orientais de Harrison e tem um clima intenso por conta do teclado e boas doses também de psicodelia na letra. "Vícios Sem Fim" é a faixa que mais se aproxima dos padrões da MPB, levada pela cadência do baixo e dedilhados da guitarra. Soa como a mais introspectiva do álbum.

Enfim, A Estação da Luz acertou novamente.  Não sei até onde Renata Ortunho (vocal), Cristhiano Carvalho (guitarras),  Alberto Sabella (teclado), Vagner Siqueira (baixo) e Junior Muelas (bateria) podem levar a banda em termos de exposição e conquistas mercadológicas pelo Brasil afora, mas uma coisa é certa, talento, bom gosto nas composições e textura visual não lhe faltam para isso.


Um papo com Junior Muelas

Ready to Rock - Após 5 anos, eis que é lançado o segundo álbum. O que mudou pra banda nesse intervalo?
Junior Muelas - Nesses 5 anos acredito que a banda tenha adquirido um pouco mais de experiência, esse processo de amadurecimento como banda tem acontecido ano após ano desde o início em 2005 e isso com certeza reflete positivamente de um disco para o outro.

RR - Percebi uma clara evolução na sonoridade final do disco. Comparando à produção do primeiro disco, como foi fazer "O Segundo"?
JM - Algumas músicas do disco já estávamos tocando nos shows há algum tempo, isso facilitou um pouco na produção por já sabermos que rumo o disco tomaria, as gravações de nossos discos são sempre tranquilas e ficamos muito à vontade em relação a timbres, arranjos, ideias. Acho que no final isso acaba definindo a sonoridade do disco e da banda.

RR - Eu percebo a banda procurando se aventurar por outros braços musicais, tentando variar mais em termos de arranjos. Teve essa intenção?
JM - Isso acaba acontecendo, mais flui naturalmente. Somos influenciados sonoramente a todo momento isso acaba refletindo nos arranjos e na sonoridade das músicas.

RR - A veia setentista clássica ainda se faz presente. Parece ser a marca da banda. Mas não há uma prisão. Dá a impressão que vocês querem se expressar sobre essa base vanguardista. Como foi o processo de composição?
JM - Nossas maiores influências são das décadas de 60/70 e gostamos da sonoridade dessa época que acaba sendo uma forte característica da banda. Não temos uma linha que seguimos nas composições, as vezes temos primeiro a música, depois fazemos a letra ou vice e versa. Sempre que alguém chega com uma ideia, desenvolvemos a música e letras juntos ou já chega com a música pronta e tocamos colocando a pegada de cada um, depende....nunca seguimos uma formula.

RR - Faixas como "Real Loucura" flertam claramente com jazz. Como foi a experiência?
JM - Eu diria mais pro progressivo do que pro Jazz. Desde o primeiro disco já flertamos com esse estilo que está muito presente em nossas influências.

RR - Como ocorreu a participação "canina" em "O Segundo"?
JM- A ideia de gravar na madrugada os cachorros da vizinhança e colocar na intro foi do Alberto Sabella, que acabou criou uma atmosfera sonora incrível.

RR - A faixa "Meu Amigo George" é uma homenagem à Harrison? Tem muito de Beatles nela.
JM - É uma homenagem com certeza. Tem muito de Beatles e George Harrison solo também.

RR - Quando o disco sairá em mídia física?
JM - Ainda não temos uma data prevista.

RR -  Num universo musical do Brasil, onde não existe mercado para quem quer apostar em rock autoral, principalmente de uma escola clássica, qual a visão de vocês em termos de aceitação da música do Estação?
JM - A aceitação do público é muito boa , temos fãs por todo país. Existe uma cena independente que não tem o apoio da grande mídia, mas sobrevive mesmo assim graças a internet que ajuda a espalhar seu som pelo mundo todo muito rapidamente que é um meio de divulgação muito eficaz. E existem algumas Rádios(AM/FM) que dão uma força para os artistas independentes.



RR -  Aqui em Rio Preto, temos o circuito tradicional de covers em bares e espaços específicos. Como vocês sentem a aceitação do Estação, enquanto banda autoral nessa cena?
JM - Sempre transitamos por esse circuito com um ótima aceitação, em Rio Preto atualmente tem uma ótima cena autoral, tem muitas bandas/músicos/compositores sensacionais a aos poucos o apoio e a cena vem crescendo.

RR - Como você sentiu a aceitação do primeiro trabalho, mesmo em termos nacionais, e como será a expectativa para este segundo?
JM - Tivemos ótima aceitação com o nosso primeiro trabalho, nos rendeu vários shows pelo país e ótimas críticas nas mídias e acredito que agora com “O Segundo” será muito legal também e hoje a internet tem várias ferramentas que ainda não rolava em 2012 quando lançamos nosso primeiro disco e que ajuda demais na divulgação do trabalho.

RR - Sua música é algo que a cena do rock brasileiro tem aderência. Até onde você acredita que o Estação pode chegar?
JM - Não saberia te dizer, vamos continuar lançando nossos discos e vamos deixar rolar...(risos)

RR - Quais os planos do banda para os próximos meses?
JM - Nos próximos meses faremos os shows de divulgação do disco e logo vamos começar a trabalhar nas músicas do próximo disco.


Contatos:

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domingo, 23 de abril de 2017

M.U.T.E. lança novo clipe, "Quimera Digital"


Quando se formou em 2009, a banda M.U.T.E., de São José do Rio Preto/SP, não imaginaria que, ao longo dos próximos oito anos, sua produção autoral fosse tão intensa. Na época, o grupo tinha como objetivo fazer covers do Raimundos. Hoje, com dois álbuns gravados, ("M.U.T.E." - 2010 e "Brutalmente Vivo" - 2013), e vários videoclipes na bagagem, sua carreira segue firme e forte. O trabalho mais recente foi a divulgação do clipe de "Quimera Digital", uma ótima produção de áudio e vídeo. A banda, que atualmente conta com Marcelo Rocha (vocal/guitarra), Sidnei (guitarra e backing vocals Henrique Waiteman (baixo) e Fábio Moura (bateria), segue sua rotina de ensaios e shows, em diversos formatos, seja em tributos, seja em covers, mas sempre inserindo suas músicas no set. Ready to Rock conversou com o baixista Henrique Waiteman, que aborda os mais recentes acontecimentos sobre a trajetória do grupo.

Ready to Rock) O M.U.T.E. está na ativa desde 2009. Nesse tempo, entre shows tributos e outros formatos, vocês lançaram muito material autoral. Você acredita que o rock autoral desperta o interesse do público em Rio Preto?

Henrique WaitemanEssa vertente ainda se mantém mesmo que timidamente. Existe o interesse do público, mas ele é um pouco reprimido. Nossa região é predominantemente voltada à cultura sertaneja e estamos geograficamente distantes das grandes capitais onde a cultura rock ‘n’ roll ainda é bem ativa, existem mais casas voltadas ao gênero e com uma demanda bem maior. São poucas as casas voltadas ao rock em nossa cidade e essas casas são “negócios”, eles precisam de clientes para que possam se manter e não se consegue clientes apenas com o rock autoral, infelizmente. Eles não estão errados, como dissemos anteriormente, é um negócio, porém as que mais sentem na pele são as bandas de rock que são obrigadas a ter em seu repertório mais de 90% de cover, deixando na grande maioria das vezes o som autoral de lado. Em nossos shows sempre procuramos manter o equilíbrio entre cover e som autoral e o retorno do público tem sido sempre positivo.




RR) O estilo que a banda faz mistura elementos de heavy metal e do hardcore da escola NY. Como tem sido a aceitação da banda nesse segmento?
HW
- Nossas influências em sua grande maioria sempre foram o heavy e hardcore. Claro que nossa fonte é bem mais ampla que isso, mas o que predomina são essas duas e essa mistura se torna muito marcante em nosso som. Vivemos em uma época em que as bandas ou são extremamente pesadas ou extremamente “fofinhas”. Estamos no meio termo. Nosso som tem o peso que achamos coerente e que gostamos. Ao mesmo tempo nossas letras remetem aos acontecimentos atuais e sempre dando aquele toque de consciência nas pessoas. Muita gente torce o nariz quando se junta o rock pesado com letras em português. Ainda assim, essa junção sempre nos trouxe um ótimo retorno, acreditamos no nosso trabalho e o reconhecimento vem aos poucos. E percebemos isso a cada novo show e com públicos diferentes, essa percepção se torna mais nítida quando participamos de eventos com outras bandas. Muitas vezes essas bandas são excelentes musicalmente falando, mas deixam a desejar quanto à presença de palco e interação com o público. Isso se transforma em shows mornos e por vezes até monótonos. Trabalhamos para tentar surpreender, acreditamos que um show não seja apenas executar as músicas perfeitamente. Claro, isso é importantíssimo, mas existem mais fatores que diferem bandas e shows. Nossa premissa é sempre, presença de palco, interação com o público, deixar a galera realmente à vontade. Recentemente em um dos últimos shows no Two Tone em Rio Preto (Pub de Ronaldo Pobreza, vocal e guitarra da lendária banda punk Grinders) um casal comentou: “Nunca ter curtido tanto uma noite de rock ’n’ roll”. Esse feedback pra gente é sensacional. Isso sem sombra de dúvida faz toda a diferença.

RR) Após lançar discos como "M.U.T.E." (2010), "Brutalmente Vivo" (2013) e alguns vídeos, a banda lançou recentemente um videoclipe muito bem feito para "Quimera Digital". Como foi a produção dele e qual o conceito por traz de "Quimera Digital"?
HW -
Nossas composições em sua grande maioria são de temas contemporâneos e quase que naturalmente o roteiro para os clipes acabam caminhando junto com elas. Fazer um clipe demanda tempo e verba, por sermos uma banda independente não dispomos de nenhum dos dois, então trabalhamos com parcerias, seja com locação ou com a produção em si. Temos uma ótima parceria de longa data com o diretor Kelvin Ambrósio e dela nasceu nosso primeiro clipe oficial “Brutalmente Vivo” e agora “Quimera Digital”. O conceito de "Quimera Digital" é uma metáfora sobre o vazio existencial no mundo virtual. A letra é sobre a dependência da internet na vida das pessoas e da falsa imagem de mundo perfeito, bonito e ideal que ela pode passar. O clipe retrata o dia a dia de uma pessoa viciada em internet que vive um mundo paralelo nas redes sociais com suas fotos aparentemente “bem”, mas na verdade, ela é uma pessoa atormentada, desequilibrada, doentia e psicótica vivendo sua utopia.



RR) Como tem sido a repercussão do novo clipe nas redes sociais?
HW -
Passamos de 10k no Youtube em uma semana, realmente não esperávamos esse número tão rápido e ele continua aumentando. A repercussão tem sido extremamente positiva, seja pela música em si e também pelo próprio clipe. O legal dessas redes e da tecnologia de um modo geral, é que podemos mostrar nosso trabalho em praticamente todos os lugares, seja no Brasil ou fora dele. Inclusive, curiosamente na mesma semana de lançamento do clipe "Quimera Digital", tivemos um trecho de uma música do nosso segundo CD, tocado em uma matéria no Fantástico da Rede Globo. Num passado não muito distante sem essas redes e tecnologia, isso seria praticamente impossível. É extremamente revigorante ver seu trabalho ser compreendido e bem aceito pelas pessoas. Estamos muito felizes de modo geral e na expectativa que isso se multiplique cada vez mais.

RR) Como funciona o processo de composição dentro da banda?
HW -
Compomos quase que totalmente por meio da internet e redes sociais, mesmo porque, o Marcelo (vocal/guitarra base) está um pouco longe (morando em Vitória/ES) e nossos ensaios com ele são mais espaçados. Com essa distância, estamos sempre trocando ideias em nosso grupo, seja no Facebook ou WhatsApp, mandando ideias de sons e letras e sempre debatendo e ajustando as composições. É sempre colaborativo entre todos. Às vezes um manda uma ideia, o outro dá um “pitaco” e assim tudo vai tomando forma. O Marcelão sempre manda ótimas ideias de “riffs” e arranjos e a gente desenvolve todo o resto, cada um com a sua forma de tocar. Na questão de letras, muitas vezes o Fábio e o Henrique mostram as ideias ou até mesmo passam elas praticamente prontas, sempre debatemos, lapidamos e ajustamos para encaixar e ficar de acordo com a música. Os ensaios rolam no estúdio do Sidnei (back/guitarra solo) e ao menos uma vez por semana a gente se encontra por lá pra ensaiar a parte instrumental e quando o Marcelo está em Rio Preto conseguimos juntar todos, ai sim, passamos as músicas por completo. Engraçado como a internet tem nos acompanhado desde o início, nos conhecemos por meio dela e grande parte do nosso trabalho ainda continua sendo por intermédio dela.



RR) A temática lírica do M.U.T.E. se baseia em vivência social/política. Essa é uma tendência natural da banda?
HW -
Sim, sem sombra de dúvida. Não foi uma decisão da banda, no início não tínhamos essa pretensão, mas aos poucos fomos percebendo essa “revolta” em nossas letras, foi natural. As opiniões dentro da banda se baseiam sempre nisso, sem estereótipos, porém dentro da realidade. Tentamos reverter essa visão em temas atuais e sempre passando uma mensagem positiva sobre os fatos. Isso acabou se tornando uma marca forte da banda, letras fortes e ao mesmo tempo mostrando o lado positivo dentro do caos social e político em que vivemos. Gostamos de colocar o dedo na ferida, contestar e dar tapas na cara, sim. O verdadeiro sentido do rock está aí. Se não for assim, não é rock.

RR) Após alguns anos, o guitarrista vocalista Marcelo voltou ao grupo. O que mudou com a saída dele e com a volta?
HW - Na verdade foram duas baixas e uma mudança bem grande, afinal perdemos metade da banda. Praticamente na mesma época saíram o Melão (vocal) e o Marcelo (back/guitarra). Foi uma época difícil, não há como negar. A banda praticamente acabou e só ficaram o Henrique (contra baixo) e o Fábio (bateria). Lembro que sentamos em um bar e olhamos um pro outro e dissemos... "E ai, o que vamos fazer”. Debatemos muito a respeito, porém nunca passou pela cabeça em terminar a banda. Tivemos que recomeçar, tínhamos um nome, uma história, então decidimos que ali seria um recomeço, não tinha como ser diferente. Então, começamos uma procura por vocalista e guitarrista. Não queríamos simplesmente um novo vocal e um novo guitarrista. Antes de tudo, queríamos parceiros, amigos, assim como éramos na primeira formação. Acreditamos que o principal em uma banda, não é ter músicos virtuosos, mesmo porque, não somos. Acreditamos na amizade, parceria sentir-se bem com as pessoas envolvidas, ter uma “vibe” positiva, o resto é consequência. Tivemos a felicidade de encontrar o Sidnei (back/guitarra solo), que além de ser um exímio guitarrista, tem todas as qualidades que queríamos. Um cara sensacional e que se tornou um grande amigo e é como se realmente estivesse na banda desde o princípio. Por indicação do Sidnei, o Caio (vocal) entrou na banda, passamos quase dois anos com essa formação, até que o Caio precisou sair por conta de projetos pessoais. Sempre mantivemos contato com o Marcelo e ele já havia sinalizado interesse em voltar para a banda (lugar de onde nunca deveria ter saído). Claro que aproveitamos para convidá-lo para retornar à banda e ele topou de primeira. Só que dessa vez assumindo os vocais e guitarra base. A banda evoluiu muito com o passar desses anos com a entrada do Sidnei e mais recentemente com o retorno do Marcelo, a banda voltou a ter sua identidade própria novamente. Isso trouxe um vigor muito grande pra banda, estamos em uma fase realmente produtiva e bem felizes com essa formação.

RR) Como você sente a cena de shows de Rio Preto e região? Existe espaço para as bandas mais pesadas?
HW -
Apesar de ter muitas casas de shows, o espaço ao rock pesado é bem restrito, principalmente o som autoral. Essa é uma luta constante e de todos, ter novos lugares para tocar, como festivais de som autoral, valorizar a cena. Mencionando festivais, existe um em nossa cidade (Planeta Rock) que cresceu muito e esperamos que continue dando oportunidade para bandas da cidade.


RR) Qual a perspectiva de levar o trabalho do M.U.T.E. para outros lugares do país?
HW -
Isso já está em pauta, estamos estudando as propostas e tentando viabilizar a logística de levar nosso show para qualquer lugar do Brasil.

RR) Há planos para lançar um novo full-lenght em breve?
HW -
No momento não é o foco, pensamos em cada vez mais aderir aos singles. Queremos agora é trabalhar uma música de cada vez. Mas também podemos lançar algum disco pelo caminho. Porque não?

RR) Fique à vontade para qualquer outra observação ou recados.
HW - O rock ‘n’ roll é algo que está em nosso DNA, assim como milhares de outras bandas, a gente rala e passa pelos mais diversos obstáculos apenas para encontrar os velhos amigos que deixamos em casa cidade por onde passamos e pelo prazer de estar na estrada e em cima do palco, entregando sempre o melhor que pudermos ao nosso público. Continuamos trabalhando e produzindo nosso som com o mesmo empenho que sempre tivemos, levando nossos ideais em mensagens positivas da melhor maneira possível. Nada paga o prazer que temos quando você, sua mina, seus amigos, chegam pra gente no final do show com aquele olhar de felicidade depois daquela “vibe” incrível e diz: Foi do caralho! Pois sabemos que por um período de tempo nós conseguimos fazer você esquecer-se de todos os problemas e curtir a vida de verdade, pois é pra isso que ela foi feita! E é por isso que continuamos tocando nosso velho e querido Rock ‘n’ roll.
A dica pra galera é: Vá ao show das bandas da sua cidade, dê uma chance! Eles ralam muito apenas pelo prazer em fazer um show pra você! Todas as bandas famosas e “fodásticas” que você curte, também começaram assim, bem pequenas e sem estrutura. Valorize a cena! Viva o rock ‘n’ roll.

Contatos: https://www.facebook.com/mutehardcore/


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A cena do rock autoral de Rio Preto-SP

Criar. No universo cultural a criação seja talvez o elemento fundamental de sua existência. No mundo da música, criar é uma condição mais importante para quem a faz do que para quem a consome. Ainda assim existe um público muito mais interessado em conhecer música autoral do que apenas se deparar com reproduções no dia a dia. Dentro do cenário rock and roll essa realidade também se aplica. A discussão cover versus autoral gerou e gera inúmeras discussões sobre o que é mais interessante, que tipo de público consome uma ou outra, se existe espaço para shows ao vivo de artistas autorais, etc. Muito já se falou sobre essa "disputa", que acontece no Brasil todo. Paralelamente a tudo isso, em São José do Rio Preto (SP) muitas bandas e artistas já conceberam diversos trabalhos autorais, muitos deles registrados em demos-tape, EPs, CDs e formato digital. E, ao longo dos últimos anos, parece que essa tendência tem se intensificado. De tempos em tempos, em intervalos cada vez menores, a mídia e as redes sociais nos informam de um novo trabalho autoral de uma banda de rock, em seus mais diversos estilos.

Ao longo das décadas, nomes como Contra Indicação, Beto Carvalho, Thara, Nothing Face, Putrefaction, Cromlech, Dark Paramount, Overlex, Sabotage, Savagery, Rules, Eternal Rage, Desgraça, Karass, Renato D'Martino, Fatallity, The Trip, Arcano XXI, Bleeding, Cérperus, Dark Paramount, Insane, Abusus, Anexa, Modera, Necrovomit, Young Beens, Imperial Doom, Nevrose, Sonora, Abhorrence, Mr. Bang, Passei um Tarde Assim, Pronuncia, Willian Froes, Sepulchral Desolation, dentre vários outros grupos, registraram seus trabalhos, em seus mais diversos formatos, nas mais diversas condições de produção. Com a evolução da internet, o advento e popularização das redes sociais, a divulgação de um trabalho autoral ganhou novos contornos de abrangência. Um vídeo no youtube hoje em dia tem um poder de divulgação que ninguém que trocava fitas (demonstration tapes) nos anos 1980 imaginaria ser possível, quebrando muitas barreiras geográficas.

Nos dias atuais, muitas bandas e artistas estão aí na ativa. Alguns deles mesclando o formato cover e autoral em seus shows. Mas sempre exercitando suas característica de criação, composição. Vamos relembrar os mais recentes movimentos de grupos na ativa da cena do rock rio-pretense, que vêm registrando e lançando seu repertório autoral e mostrar que a cena do rock autoral de Rio Preto tem força e representatividade.

Above Reality - O grupo desenvolve seu trabalho baseado no metalcore. Pode se encontrar o vídeo de "Runaway" no youtube. A banda trabalha em seu material autoral, enquanto se apresenta em vários festivais na região. (https://www.facebook.com/pg/AboveRealityOficial)

Capivaras Kill - Formada em 2010, o grupo participou de vários festivais de música na região, tendo ficado em 1º lugar no FEMUCA (Catanduva-SP) com a música "Caverna de Platão". Chegou a ter um single produzido por Rick Bonadio e, com recursos do prêmio "Nelson Seixas", o grupo registrou seu primeiro CD, "IntenCidade", em 2016. O teor musical do trabalho é baseado no hard rock com boa dose de energia. (https://www.facebook.com/pg/CapivarasKill)

Cavina - O grupo rio-pretense, que hoje reside na Inglaterra, lançou em 2014 o EP "Cavina", e vem trilhando seu caminho de divulgação mundial de seu trabalho (heavy metal). No mesmo ano ela assinou com a distribuidora Wikimetal Music. Vários vídeos do grupo podem ser encontrados na net, como "Better" e "My World". (https://www.facebook.com/pg/cavinaofficial)

Centro da Terra - Apostando na sonoridade orgânica do rock setentista, o trio rio-pretense já lançou 2 álbuns, um com suas músicas autorais gravadas ao vivo, "Ao Vivo - Tarde no Quintal" e outro gravado ao vivo em estúdio, "Ritual Elétrico ao Vivo". Recentemente a banda lançou um projeto em crowdfunding para captar recursos para um novo trabalho. (https://www.facebook.com/centrodaterrapowertrio)

Elder King - A banda, que navega pelos mares do hard rock e progressivo, começou em 2016 a produção de seu primeiro álbum, que conterá 10 músicas. No site do grupo é possível ter contato com este material. No youtube encontram-se alguns videos como "The Country is Mine" e "Even Afraid". (https://www.facebook.com/pg/ElderKingBand)

Estação da Luz - Na ativa há mais de 15 anos, a banda desenvolve um trabalho calcado nos moldes do rock 70, com grande influência da cena nacional. Lançou em 2014 seu primeiro disco, "Estação da Luz". Além de alguns vídeos na internet, a banda prepara o lançamento de seu segundo full-lenght para 2017. Nos shows, muitas reproduções nacionais, como Secos & Molhados e Mutantes, além de suas músicas. (https://www.facebook.com/aestacaodaluz)

Humberto Lee - Guitarrista e cantor, Humberto já participou de muitos movimentos na cena nos últimos 25 anos. Em 2014 o músico lançou um CD de inéditas, "Rock It", com composições suas e de Fabiana Berti. O trabalho teve a produção viabilizada pelo prêmio "Nelson Seixas", da prefeitura de Rio Preto. Humberto se apresenta nos palcos da cidade, mostrando suas músicas e outras reproduções, ora acompanhado por algum músico convidado, ora na companhia apenas de sua guitarra. (https://soundcloud.com/humberto-lee)

JAMM - Há 3 anos na ativa, a banda, formada por amigos quarentões (Júlio, Antonio Rogério, Marcelo e Márcio) apenas para diversão, vai lançar em 2017 seu primeiro disco, "Our Time Has Come", com 9 faixas autorais, navegando por tendências como rock clássico, metal e blues.

Lier - Decana banda, há quase 25 anos na ativa, lançou em 2015 pela internet 4 faixas inéditas, "Sufocando", "Sob Seus Passos", "Cotidiano" e "Mil Maneiras". Nos shows mescla o rock clássico e pop-rock de diversas bandas. (https://www.facebook.com/bandalieroficial)

Lamúria - Misturando heavy metal com outras tendências, a banda lançou no youtube em 2016 o videoclipe para a música "Profundo Vago". Antes a banda já havia lançado o single "Prejuízo". (https://www.youtube.com/watch?v=i_c7vPhYL3Q)


Lobo y Brujo - Com seis anos de estrada, o grupo, que aposta numa mescla de rock and roll e blues, está preparando o EP "Brujas En La Gira", previsto para março de 2017. O trabalho contém 5 faixas autorais além de um versão. Um clipe para "Bad Girl" se encontra no youtube. (https://www.facebook.com/pg/loboybrujo)

Maestrick - Após o intensamente elogiado disco de estreia, "Unpluzze!" (2011) Brasil afora, e que fora lançado também na Europa, o grupo de prog-metal se prepara para lançar seus novos trabalhos, "Espresso Della Vita: Solare", que será dividido em dois álbuns, o primeiro com previsão para 2017. A produção ficara a cargo do renomado Adair Daufembach (Project46, John Wayne, Hangar, etc). (https://www.facebook.com/pg/maestrick)

Mármore de Carrara - Com 15 anos de carreira e com vários trabalhos no currículo, "Mármore de Carrara”, de 2003, “Mármore Compacto”, EP de 2009, e “Rock and Roll”, de 2012 e um DVD gravado, a banda que faz um rock and roll clássico com elementos contemporâneos, tem lançado alguns trabalhos inéditos, como os vídeos das músicas "O Poema de um Assassino" e "Uma Canção", disponíveis no youtube. (https://www.facebook.com/pg/marmore.rock)

M.U.T.E. - Com influências de metal, hardcore e punk, a banda já tem 2 CDs ("M.U.T.E." - 2010 e "Brutalmente Vivo" - 2013) lançados ao longo de seus 8 anos de atividades. Entre os vídeos já publicados, "Mais que Um" teve a participação dos lutadores de MMA, Minotouro e Minotauro. Nos shows a banda faz especiais de nomes como Raimundos, Planet Hemp, Charlie Brown Jr, Ultraje a Rigor, dentre outros. (https://www.facebook.com/pg/mutehardcore)

Order of Destruction - Com pouco tempo de estrada, a banda pratica um thrash metal tradicional e vem buscando divulgar seu trabalho. Em 2016 lançou um vídeo para a música "By Myself", muito elogiado por consumidores do estilo. (https://www.facebook.com/pg/orderofdestruction)

OUDN - Apostando na energia de elementos modernos do heavy metal (como o metalcore), o grupo tem gerado excelentes produções, como o EP "Save Us From Ourselves" (2015) e vários clipes, que têm frequentado os canais de vídeo como "Hate", "Wrath of the Maker" e "The Reapper", que será lançado em Janeiro de 2017. A banda, campeã da 4ª edição do festival "Planeta Rock", se prepara para lançar em 2017 seu primeiro álbum, a cargo do renomado produtor Adair Daufembach. (https://www.facebook.com/oudnofficial)

Pinga com Groselha - Formada em 2011, a banda faz a inusitada proposta de misturar rock e metal com as bases da música brega nacional. Lançou em 2015 seu primeiro CD, "Brega Rock", e tem divulgado no youtube alguns clipes deste primeiro disco, como "Passar o Ferro" e "Cine Privê". (https://www.facebook.com/PingaComGroselha)


Psicodella - Antigamente intitulada Torn, a nova banda estreia logo de cara com o disco "Psicodella" (2016), produzido no estúdio Busic de São Paulo, e que conta com 9 faixas autorais, baseado quase que totalmente num hard rock moderno. No youtube é possível encontrar a faixa "#nuncaserão", presente no disco. Em seus shows, os temas próprios são executados junto a covers de bandas como AC/DC, S.O.A.D, Raimundos, Pitty, dentre outros. (https://www.facebook.com/psicodellaoficial)

Razorblade - A banda é relativamente nova e sua proposta é resgatar a sonoridade e a estética oitentistas do heavy metal. Em pleno processo de composição de seu primeiro disco a banda tem feito muito shows pela região, sempre apresentando exclusivamente seu material autoral. Em 2016 o grupo publicou o vídeo de "Cuts Like a Razor". (https://www.facebook.com/razorbr)

Samara Bueno & The Black Wolves - A cantora vem há muitos anos se apresentando na noite rio-pretense. Com Samara Bueno & The Black Wolves (na ativa desde 2014), o grupo lançou o videoclipe "Queen of the Night" e participou recentemente do concurso "EDP Live Band", de Portugal. Recentemente ela montou o grupo BAST, que trabalha nesse momento em seu material autoral também. (https://www.facebook.com/pg/samarabuenoandtheblackwolves)

The Brisantinos - Na estrada desde 2012, o quinteto executa um rock and roll, com diversas referências de blues, jazz e até punk rock. A banda também lançou uma campanha de crowdfunding para captar recursos para o lançamento de um CD, previsto para 2017. Várias músicas deste disco já são apresentadas nos shows do grupo. (https://www.facebook.com/pg/brisantinos)


The Chambers - Com 7 anos na ativa, a banda lançou o single "Baby You Rock My Word", disponível em algumas plataformas de distribuição musical e no youtube. Enquanto isso, o grupo vem trabalhando em outras composições e mostrando seu trabalho em shows pela cidade, numa mescla de seu material  com covers. (https://www.facebook.com/TheChambersRock)

Zac - O músico Zac Mónico, mentor da banda Duca, lançou em 2015 seu disco solo, "Só Pra Avisar". Diversos clipes do disco podem ser encontrados na internet. Um rock and roll, com acento pop, recheado de guitarras acentuadas. Zac rotineiramente se apresenta na noite musical da cidade, enquanto planeja o lançamento de um novo CD em 2017. (https://www.facebook.com/pg/zaacmonico)

Alguns outros nomes da cena rock de Rio Preto estão por aí, trabalhando em seu material autoral. A razão de ser de um artista é sua arte. E a criação da arte musical é a forma que ele tem para externar suas influências musicais e passar, em suas letras, sua visão de mundo, suas experiências, frustrações e expectativas. Enfim, a criatividade só é ofertada e assimilada quando existe a criação. E, em termos de criação de rock, Rio Preto está muito bem servida. Mesmo com tantas dificuldades que o estilo tem para se expor no tocante dos shows.

Above Reality - https://www.youtube.com/watch?v=uU1PbnMl85E
Capivaras Kill - https://www.youtube.com/watch?v=vdUD0s547hU
Cavina - https://www.youtube.com/watch?v=RaoYjkAwAsQ
Centro da Terra - https://www.youtube.com/watch?v=DCXtDbnyNno
Elder King - https://www.youtube.com/watch?v=7xi-79EA0c4
Estação da Luz - https://www.youtube.com/watch?v=6Xad6W2DOiM
Humberto Lee - https://www.youtube.com/watch?v=PYE4vlPlpFo
Lier - https://www.youtube.com/watch?v=JPGfcDgtG_c
Lamúria - https://www.youtube.com/watch?v=i_c7vPhYL3Q
Lobo y Brujo - https://www.youtube.com/watch?v=Sg3o6PoSFGM
Maestrick - https://www.youtube.com/watch?v=TqiTl1SpYQs
Mármore de Carrara - https://www.youtube.com/watch?v=sbgF6WKiWuk
M.U.T.E. - https://www.youtube.com/watch?v=T0fqVBeHhvg
Order of Destruction - https://www.youtube.com/watch?v=UdsXO8rTanc
OUDN - https://www.youtube.com/watch?v=8o6wURhFq9I
Pinga com Groselha - https://www.youtube.com/watch?v=HqufB7gHW8Q
Psicodella - https://www.youtube.com/watch?v=6k9TqOcN7C8
Razorblade - https://www.youtube.com/watch?v=l1x8qVV1uBg
Samara Bueno & The Black Wolves - https://www.youtube.com/watch?v=GKKCHaNxOw8
The Brisantinos - https://www.youtube.com/watch?v=dQ_CBdmyn30
Zac - https://www.youtube.com/watch?v=kQutrLWFNb4


Fontes:

Ready to Rock (http://readytorockroll.blogspot.com.br)
Youtube / Facebook / Diarioweb
Livro: "A História do Rock de Rio Preto" - 2013 (https://www.facebook.com/julio.verdi.3)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Psicodella: estréia em disco autoral com muita energia


Mesmo em tempos em que comprar CDs já não mais o hábito mais praticado por fãs de rock, o lançamento de um álbum ainda se configura como meta principal das bandas que se dedicam a produzir música autoral. E, quando se trata de um primeiro full length, essa meta é sempre cercada de muitas expectativas. Afinal, qual músico não tem uma overdose de curiosidade pra saber o que ou ouvintes estão achando de seu trabalho. E imagino que essa realidade se aplique à banda Psicodella. Nascida em São José do Rio Preto, ela se chamava anteriormente Torn, e circulava por diversas cidades da região, atuando com covers de nomes como System of a Down, AC/DC, além de artistas nacionais como Pitty e Raimundos.
Até que em 2016, vieram mudanças profundas na carreira do grupo, que hoje tem Anie Doná (vocal), Walter Poletti (guitarra), Daniel Borsato (bateria) e Hailon Vançan (baixo). Primeiro mudaram de nome, passando a chamar-se Psicodella. E gravaram no estúdio Busic (em Sampa, dos irmãos Andria e Ivan Busic, ex-Dr.Sin) seu primeiro disco, com 9 temas puramente autorais. A partir de então a banda passou a mesclar seu repertório, dividindo-o entre os covers e suas próprias criações.


Psicodella, o disco

O que chama a atenção logo de cara é a qualidade da produção. Efeitos de guitarra e baixo muito bem equilibrados, bateria concisa e amigável com os arranjos e os vocais de Anie, soando com ótima dose de agressividade. Por ter uma mulher à frente dos microfones, muita gente pode ter um conceito prévio de associar o grupo a nomes como Pitty, Pato Fu ou Toyshop. Ledo engano, amigo leitor. O quarteto aqui pratica um hard rock muito bem arranjado, com fortes referências a classic rock, e executado de maneira bem visceral. Os solos de guitarra curtos e precisos. As músicas têm peso e acessibilidade, convivendo simultaneamente. As letras versam sobre existencialismo, condições sociais/amorosas e odes ao estilo de vida rock and roll, sem soarem superficiais ou intelectualóides demais.
Destaques? O álbum todo é nivelado por cima em termos de entusiasmo sonoro. Nada é meia boca. Mas vamos a alguns. O disco abre com “#nuncaserão”, o qual poderíamos classificar com o hit da banda. Levada com muito groove (característica da maioria das músicas, ouça "Deixa o rock rolar") e um refrão grudento. "Só guardo o que é bom" e "Até logo" são as mais cadenciadas, a primeira com seu início no esquema balada (chimbau e dedilhado), para ganhar peso posteriormente, a segunda tem um bom apelo radiofônico. Seria forte candidata a rolar nas FMs por aí, não fossem a$ influência$ que elas tem das gravadoras. "Quem vai nos ouvir" começa com a força visceral do vocal (cujo refrão tem vozes dobradas) e tem como base a levada de rock clássico nos fraseados de guitarra (e um destacado solo de guita). Outro destaque latente do trabalho é "Way to Go", licks e base se intercalando (lembranças melódicas de AC/DC são fáceis de se identificar), cadência precisa da batera e uma aura prazerosa aura rock and roll nas linhas vocais. E o disco fecha com "Te salvar", talvez a mais densa do disco, levada por paletadas nervosas da guitarra e um conjunto de backings que dão um sabor especial às refrães.

Enfim, um disco objetivo e agradável. Não se surpreenda caso se ouça cantarolando várias partes das músicas deste disco. Afinal, ele tem uma saudável aura de pegajosidade. Até onde o álbum pode levar a banda em termos de carreira não sabemos, mas que é um início fonográfico vibrante, com certeza é. Way to go.



Um papo com Walter Poletti

Ready to Rock - Primeiramente, uma questão óbvia: depois de muitos anos como Torn, por que a banda mudou para Psicodella, e qual o motivo dessa escolha?
Walter Poletti - Sempre pensamos em desenvolver um trabalho autoral, ainda antes do retorno da banda Torn, em 2011. Entre os anos de 2008 e 2010, com a extinta Don Crookane, gravamos um EP com três composições, sendo duas lançadas numa compilação tributo ao AC/DC pelo selo Versailles Records, situado em Nashville/EUA (http://www.allmusic.com/album/rock-roll-train-a-millennium-tribute-to-ac-dc-mw0002050820). Até que, no início de 2016, quando decidimos registrar as novas composições e o nome da banda, alguns empecilhos com a “marca” nos obrigaram a mudar. O nome Psicodella foi o que, dentre tantas opções, soou melhor a nossos ouvidos, talvez por lembrar psicodelia, rock and roll.

RR - A banda atingiu a tão sonhada meta de um CD autoral. Como é a sensação de atingir essa meta?
WP - Esse era um dos principais objetivos da Psicodella: entrar em estúdio e trabalhar suas próprias composições é uma sensação única; é indescritível ver e ouvir o produto final.

RR - O disco é muito bem produzido, em se tratando de composições, arranjos, qualidade sonora. Até que ponto o estúdio dos Busic ajudou nesse sentido?
WP - Conhecemos os irmãos Busic quando abrimos shows da Dr. Sin, em 2008 (no Toma-Rock, São José do Rio Preto/SP) e em 2009 (no Under Rock Bar, Bauru/SP). O respeito mútuo foi instantâneo e, desde então, mantivemos contato. Quando decidimos gravar com um produtor renomado, Andria Busic foi o principal nome: ele tem mais de 25 anos de carreira, experiência internacional, foi eleito várias vezes o melhor baixista do Brasil, dividiu palco com artistas como Ian Gillan, Nirvana, Black Sabbath, KISS, Bon Jovi, AC/DC, Bruce Dickinson, Scorpions, Dio, Whitesnake e Aerosmith. Seu conhecimento musical, na teoria e na prática, além da estrutura disponível no Mr. Som Estúdio e o atendimento amistoso nos proporcionaram o timbre e a mixagem que tanto almejávamos.


RR - Andria fez o baixo do disco. Ele, como produtor, mudou algum detalhe nas ideias originais do álbum?
WP - Entramos em estúdio sem baixista e, surpreendentemente, Andria Busic se propôs a gravar todas as linhas, que ficaram fantásticas! Muitos arranjos, melodias e ritmos foram sugestões dele, das quais acatamos sem hesitação. Como ele já conhecia nosso estilo, pôde nos levar, musicalmente, ao ponto que queríamos.

RR - Sinto a influência de alguns nomes no seu trabalho, como por exemplo, de AC/DC em "Way to Go" (no riffs e no solo). Até que ponto as influências de vocês atuaram na concepção das músicas?
WP - Como guitarrista e principal compositor do grupo, sou fã de AC/DC – inclusive tenho os autógrafos de Angus Young & Cia. tatuados em meus braços e costas. Porém, outros artistas, principalmente do “Classic Rock”, também influenciam diretamente a banda como um todo: Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Iron Maiden, System of a Down.
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RR - Ao longo do disco, nos deparamos com temas mais acessíveis e diretos, como "Só Guardo o Que é Bom" ou "Até Logo". Outros já soam mais agressivos e pesados como "Te Salvar" e "Do Meu Jeito". Como funcionou o processo de composição?
WP - Não nos policiamos nem “forçamos a barra” para compor, apenas deixamos fluir nossa maneira de tocar e tudo aconteceu naturalmente – tanto os riffs, arranjos e melodias quanto as letras, onde buscamos expressar aquilo que passamos no dia-a-dia, tanto como cidadãos quanto nos relacionamentos, no trabalho, na estrada.




RR - Existe sempre a controversa discussão entre ser uma banda autoral ou de covers. Durantes muitos anos, vocês atuaram pela segunda categoria. Agora, com um álbum lançado, existe tranquilidade em misturar os dois modelos nos shows?
WP - Sempre tocamos nossos singles “#nuncaserão” (https://youtu.be/6k9TqOcN7C8), “Até logo” e “Só guardo o que é bom” nos shows; “Way to go” e “Quem vai nos ouvir” frequentemente aparecem no set list também. A resposta tem sido extremamente positiva: durante os intervalos, vendemos CDs para o público - foram aproximadamente 500 cópias em menos de 4 meses (o álbum está disponível para download em https://onerpm.com/disco/album&album_number=7565114440). Vale ressaltar que algumas rádios da região e da web (Educativa FM, Unifev, Web FM) têm executado essas canções. Quanto aos “covers”, são mais de 200 clássicos do rock internacional no repertório, além de alguns hits do rock nacional.

RR - Quais músicas funcionam melhor ao vivo?
WP - Curtimos muito estar no palco, tocar ao vivo; há muita energia em todas as faixas, gostamos delas e as tocamos da melhor maneira, mas certamente “#nuncaserão” e “Até logo” funcionam muito bem, talvez por haver uma identificação imediata do público com as letras. Entre os covers, “Highway to hell” (AC/DC), “Psycho killer” (Talking Heads), “Iron man” (Black Sabbath), “Killing in the name” (Rage Against the Machine) e “Chop Suey!” (System of a Down) são sempre certeiros.

RR - Qual a expectativa em divulgar o disco além das fronteiras de Rio Preto?
WP - Além de Rio Preto, temos um público fiel no interior de São Paulo: Fernandópolis, Jales, Votuporanga e Pereira Barreto, por exemplo, entre outras cidades, como Mirassol, São Caetano do Sul, Uchoa, Novo Horizonte, Urupês, Catanduva e até Paranaíba/MS. O objetivo agora é expandir e alcançar novos destinos.


RR - Como você avalia a cena do rock de Rio Preto, seja autoral ou cover?
WP - Positivamente! Após certa “estagnação”, a “cena” voltou a crescer e, atualmente, há muitas casas que apostam no rock em São José do Rio Preto/SP, inclusive para apresentações de música autoral.

RR - Você acredita que o fato de ter uma mulher como vocalista pode representar um ponto mais forte para que as pessoas queiram conhecer o trabalho da banda ou é indiferente?
WP - A qualidade é, sim, um diferencial. Anie Doná é excelente vocalista; sua voz e presença de palco chamam a atenção e voltam os olhares do público para a Psicodella. Muito de sua formação tem contribuição internacional: entre os anos de 2010 e 2011, Anie se apresentou e gravou com as bandas norte-americanas Bottoms Up, Brain Shakers, Cheney’s Shotgun, Down South (Atlanta/GA) e a californiana The Gunslingers (Los Angeles).

RR - Quais os próximos planos da banda?
WP -Este foi um grande ano para a Psicodella! O lançamento do álbum rendeu algumas chamadas nos principais jornais da região e abriu portas para participarmos, por exemplo, do Planeta Rock 5ª edição, evento em que dividimos palco com CPM 22 e Titãs, gigantes do rock nacional. No dia seguinte, Anie cantou com Raimundos, a convite de ninguém menos que a dupla Digão e Canisso. Poucas semanas depois, abrimos para a maior banda independente do Brasil, a Velhas Virgens. No momento, há um novo clipe em pré-produção, bem como estratégias de marketing e publicidade para a Psicodella. E a agenda de shows está cheia!.

RR - Fique à vontade para tecer qualquer outro comentário sobre o Psicodella.
WP - Primeiramente, parabenizamos Júlio Verdi pela magnífica obra “A História do Rock de Rio Preto” (que traz a Psicodella ainda como TORN, na página 788) e pelo grande trabalho em prol do rock de São José do Rio Preto/SP e região; agradecemos pelo espaço. Você, fã do blog “Ready to Rock”, ouça Psicodella, nos siga nas redes sociais e “deixe o rock rolar”!

Maiores informações sobre a banda:



terça-feira, 28 de junho de 2016

King Bird retorna mais forte que nunca com "Got Newz"


Quando lançou, em 2005, o álbum “Jaywalker”, a banda paulistana King Bird não só cravava na história do rock nacional um dos melhores discos de estreia como também perpetuaria um dos melhores trabalhos já surgidos no país. Um álbum eximiamente bem composto, variado e extremamente agradável, o disco mostrou ao público uma banda que bebia de referências do hard rock setentista, misturando uma pegada áspera com doses alucinantes de melodia, em temas empolgantes como "Underdog", "Old Jack", "Down the Crosswords" e "Mother Nature". Em 2008, veio o segundo play, "Sunshine", que manteve a pegada do primeiro, com algumas doses de modernidade na produção. Então, o esmerado vocalista João Luiz deixa a banda para se dedicar ao Casa das Máquinas. Uma aura de dúvidas pairou sobre os fãs do grupo, até que, em 2014, fora anunciado um novo vocalista Ton Cremon,  e divulgada a faixa inédita "Daybreak". Enfim, em 2016, chegou ao mundo o novo disco do grupo, "Got Newz". Em nota no seu site, Silvio Lopes (guitarrista) afirmou: "Pensamos até em intitular o disco como 'ReBird', mas achamos que o pessoal do Angra ia ficar chateado por causa do 'Rebirth'". King Bird tem hoje em suas fileiras, Silvio Lopes (guitarra), Marcelo Ladwig (bateria), Fábio Cesar (baixo) e Ton Cremon (voz).




"Got Newz"

Mudanças ocorreram? Sim, além do vocalista, o novo álbum mostra uma sonoridade mais atual, sem se desgarrar das características básicas do hard rock (nos efeitos, palhetadas e levadas). Às outroras saudáveis incursões em nomes como Rainbow e UFO convivem lado a lado com referências a um hard rock mais contemporâneo, em nomes como Mr. Big, Whitesnake e Talisman. A produção (timbragem e mixagem) conseguiu evidenciar objetivamente todos seus elementos (baixo, bateria, guitarra e voz) de forma lapidada, sem descaracterizar seu estilo de composição. A troca de vocalista, processo que costuma ser crucial no padrão sonoro de qualquer banda, se mostrou incrivelmente tranquila, no que se refere aos novos resultados. João Luiz tinha um timbre mais grave, mas as novas músicas (assim como os trabalhos anteriores) sugerem tons altos e rasgados, e nesse ponto Ton mostrou toda sua competência.

O disco todo é nivelado no topo da agradabilidade, mas vamos elencar alguns destaques. "Immortal Rider", com um riff certeiro, bem acompanhado de um marcante baixo, abre o disco, com direito a coros que antecedem refrães de impacto, na mais acepção visceral da palavra. "Break Away" vem ancorada no peso e na levada clássica da banda. "Gonna Rock You" se caracteriza por sua cadência com o baixo em destaque. Uma faixa que celebra o rock and roll, em sua veia melódica e lírica. "Daybreak" (a citada faixa da pré-divulgação) tem cara de hit do disco. Levada com pelo precisão do baixo, a faixa conta com riffs certeiros e um refrão de alto poder de contágio.

Em "The Road You Ride", Ton dá uma show à parte no tocante da interpretação e "Doomsday" mostra um lado mais metal com suas paletadas (lembra algo da "The Zoo", do Scorpions). "Smoke Signal" é mais balanceada e com uma bela variação nas linhas de bateria. O disco tem duas baladas, "Years Gone By" (naquele tradicional formato dedilhado inicial, e se incorpora com fraseados de guitarra, ganha peso e vocais calmos) e "Freeze Frame my Life" (com uma levada colada no blues e ótimos solos de guita).

E, pra finalizar com chave dourada, "Last Page" encerra o disco de forma magistral. É uma faixa clássica do hard orgânico, cadenciada, com vocais dramáticos, grandes viradas de bateria, baixão estalando na cara e recheada de solos de guitarra. O grande destaque do disco e com certeza uma das melhores músicas que o pássaro rei já concebeu.
"Got Newz" tem uma qualidade sonora no topo das produções nacionais e tem tudo para colocar a banda entre as maiores de nossa cena alternativa. Evidentemente que o cenário alternativo do rock brasileiro tem todas as dificuldades comerciais e divulgatórias que se possa imaginar, mas esse álbum tem tudo para fazer o pássaro voar tão alto onde jamais esteve.

A Ready conversou com o baixista Fábio Cesar, que dá mais detalhes riquíssimos sobre a composição e a produção do novo trabalho.

Ready to Rock - Após "Sunshine", a banda lança um novo álbum após 8 anos. Como foi a produção do disco?
Fábio Cesar - Entre os CDs "Got Newz" e "Sunshine", produzimos em 2012 o EP "Beyond The Rainbow", com a produção de Henrique Baboom Canalle,
ficamos muito satisfeitos com o resultado final deste trabalho o que nos motivou a trabalhar novamente com ele nesse novo álbum. Como investimos mais tempo na produção de "Got Newz", ficamos realmente satisfeitos com a qualidade e o resultado alcançado, um som bem mais orgânico, esperamos que agrade também ao público.

RR - "Got Newz" traz a estreia do vocalista Ton Cremon. Isso mudou algo no som do grupo?
FC - Não acho que ele tenha mudado o som do grupo e sim acrescentado.
O álbum "Got Newz" já possuía essa pegada um pouco mais hard rock desde a sua concepção. Acho que as melodias criadas pelo Ton e o seu timbre de voz encaixaram perfeitamente nas músicas, isso foi bem impressionante. O Ton é um excelente vocalista e um grande talento, a sua entrada agregou e acrescentou muito a banda.



RR - Vejo em faixas como ""Immortal Ride", "Gonna Rock You" e "Doomsday" que o som da banda apresenta uma nova roupagem, seja na timbragem, seja na forma de compor. Como você vê essa mudança?
FC - "Immortal Rider" foi composta quase que integralmente através de um riff de baixo, o que diferente em "Gonna Rock" e "Doomsday". Estas duas foram compostas a partir de riffs de guitarra. Mas de qualquer forma a criação para este álbum saiu de forma bem natural. Não tivemos a preocupação se iria soar hard/heavy, 70/80/90, etc. Cada integrante da banda vinha com uma ideia ou um riff e dai a musica ganhava a forma final.  Interessante é que a pegada dessas três musicas citadas são bem distintas, o que reforça a ideia de não ter um conceito estabelecido ou um modelo a ser seguido quanto ao estilo de musica. Quanto à mudança de timbragem, em especifico ao contrabaixo, esta mudança se deve ao fato também do instrumento utilizado nesta gravação. Eu utilizei para todas as faixas um Precision, enquanto  "Sunshine" usei um Jazz Bass. O Silvio usou novamente Les Paul e Stratocastar mas trabalhou com diferentes amplificadores e pedais em cada faixa, o que deu um sou mais característico de acordo com o clima de cada música.

RR - Já em "Break Away" e "Smoke Signals", eu vejo a veia mais orgânica e setentista da banda. Ambos os momentos convivem bem no disco, concorda?
FC - Sim, como eu disse as músicas nasceram de forma espontânea, sem a
preocupação de serem rotuladas ou ligadas a um estilo ou época do rock, uma das características da banda é esse resgate do rock dito 70 porém trazendo aos dias atuais, sem ficar preso na timbragem/linguagem ou no tipo de produção da época.

RR - Outra mudança que vejo é a adição de vocais dobrados em algumas faixas. É um recurso bem interessante. Esses arranjos foram ideias do Ton?
FC - Aí tem o dedo, no bom sentido (risos), do produtor Henrique Baboom Canalle, e como você mesmo disse ficou interessante o que nos levou a adotar em algumas musicas ou em alguns trechos específicos.

RR - A faixa "Last Page" é simplesmente fantástica. Como ela foi concebida?
FC - A ideia principal da música veio do Silvio; Ele compôs em sua Double Neck, uma viagem meio "zeppeliana" e quando ouvimos nos remeteu nesse clima meio "No Quarter", eu levei a ideia do refrão para os ensaios e junto
com o Marcelo Ladwig fechamos a musica. Outros destaques nessa música são também a bonita letra do "quinto elemento do King Bird", o Giles Beard, bem como a interpretação que o Ton colocou com sua linha de voz "chega faz arrepiar" (risos), esta musica fecha o CD com um ar mais épico.

RR - Voltando um pouco no tempo, por que o vocalista João Luiz deixou o grupo? Você atua com ele no Casa das Máquinas, correto?
FC - O João Luiz estava com outros desafios pessoais os quais precisava se dedicar e seria muito difícil ele conseguir dividir seu tempo para
dar o foco que a banda precisava, desta forma a decisão foi unânime para
ambas as partes que o melhor seria sua saída. O King Bird é
uma família, nos conhecemos há muito tempo e somos muito amigos, a decisão foi em consenso e amigável. Sim, estou com ele no Casa das maquinas desde 2010, mantemos a mesma amizade e profissionalismo de sempre, não temos nenhum problema quanto a isso.

RR - Como você vê o King Bird dentro do cenário rock and roll do país?
FC - Pois é... O cenário...(risos). Falando serio, hoje estamos num momento muito delicado, aquele cenário de antigamente com bandas unidas e público presente nos shows não tem pintado muito, quem trabalha com rock autoral sabe bem o que estou dizendo. A gente no King Bird, assim como as bandas de rock autoral nos dias de hoje, estamos tentando não deixar morrer de vez a cena. Existe muita banda boa no Brasil, mas será que o publico está de fato
valorizando estas bandas? Será que há também espaço na mídia em geral pra que as bandas autorais de rock'n'roll possam mostrar seu trabalho e seu potencial? Deixo para o leitor esta reflexão.

RR - Voltando ao disco novo, como está sendo recebido "Got Newz"?
FC -
Tivemos a informação que vem sendo muito bem recebido pelo
publico, inclusive  nestas primeiras semanas de venda, está entre
os mais vendidos em uma tradicional loja na galeria do rock, a Die Hard, que é nossa parceira desde o início. É muito gratificante receber este tipo de notícia numa época de predominante domínio do downloads. Pelas redes sociais temos visto também muitos posts e comentários de pessoas que estão curtindo o "Got Newz", isso é realmente gasolina pra nós!!

RR - A qualidade do álbum realmente surpreende. Existe a expectativa (ou algum plano em andamento) para trabalhar a música do King Bird também em outros países?
FC - Sim, como aconteceu com o "Sunshine", que foi lançado em Portugal pela Metal Soldiers Records, estamos estudando a viabilidade de lançar este trabalho também lá fora, acompanhado quem sabe ate de uma possível tour. Estamos trabalhando pra isso.

RR - O King Bird está em seu 3º álbum. Algumas bandas costumam lançar algum trabalho ao vivo após alguns trabalhos de estúdio. Existem planos para um CD/DVD?
FC - Neste primeiro momento estamos focados em divulgar o máximo o "Got Newz", mas claro que, para um futuro próximo, temos intenção de lançar este material audio visual, até para o publico conhecer também nossas músicas antigas com este novo line up. Achamos que este pode ser sim um próximo projeto da banda.

RR - Passados 13 de carreira, qual o grande momento da trajetória da banda?
FC -  Estar ainda na ativa e lançando novos álbuns. Isto nos dias de hoje pode ser considerado como um grande momento. Manter uma banda de rock em atividade diante de tanta adversidade e a conciliação com o dia a dia caótico de nossas vidas é uma vitória, sem dúvida. Claro que também não podemos esquecer as aberturas que fizemos em shows internacionais para os quais tivemos a honra de ser convidados (Uriah Heep, Joe Lynn Turner, Graham Bonnet), dividir o palco na mesma noite com seus ídolos é muito prazeroso e uma realização.

RR - Quais são suas expectativas para o futuro do King Bird?
FC - Trabalhar muito e levar o som da banda a todo lugar possível dentro e fora
do Brasil através de nossos shows, CDs, clipes e mídias digitais.


RR - Fique à vontade para deixar qualquer mensagem para nossos leitores.
FC -
Em nome da banda gostaria de agradecer a você pela entrevista e aproveito para convidar os leitores a conhecer nosso novo CD "Got Newz", que já está disponível nas plataformas digitais (Spotify, Cd Baby, iTunes, etc...), e também está à venda na nossa loja virtual (link  pra ZN STORE em  wwww.kingbird.com.br), Livraria Cultura, bem como na loja física (e virtual) da Die hard na galeria do rock, em São Paulo. Um grande abraço a todos !!


Mais informações sobre a banda em www.kingbird.com.br ou em https://www.facebook.com/KingBirdBand.