quarta-feira, 23 de outubro de 2013

MX se prepara para lançar "Relapse", com regravação de antigos clássicos



O Brasil vive um momento onde muitas das heroicas bandas de metal surgidas na década de 1980 retomaram suas atividades de maneira intensa, várias delas se envolvendo com produção de novos álbuns. Assim ocorreu com o MX. Formada em 1985, em Santo André-SP, a banda deu uma pausa em sua carreira em 2000, depois do álbum “The Last File”, e retornou recentemente com planos para lançar dois novos trabalhos, um deles “Relapse”, traz regravações de alguns títulos de seus álbuns anteriores. Além disso, a banda colocou os pés e os amplificadores na estrada e continua percorrendo o país com seu enérgico e preciso show. Conversamos com o baterista/vocalista Alexandre Cunha sobre este ótimo momento que a banda se encontra.


(RR) Evidentemente o MX é parte fundamental da história do metal no país. Mas comecemos falando do presente. A banda está atuando forte em sua carreira, como estão os planos para a produção e o lançamento de “Relapse”?
(Alexandre) As gravações do álbum “Relapse” estão praticamente finalizadas, faltam detalhes apenas, estamos muito satisfeitos com o resultado, o público vai poder conhecer as músicas do MX com uma gravação descente, atual que mostra a força das músicas. Entraremos em fase de mixagem este mês.

“Relapse” mostrará o MX na releitura musical de temas clássicos dos primeiros álbuns. Algumas bandas tradicionais como Destruction, Exodus, Manowar e Twisted Sister fizeram regravações de antigos álbuns. Qual a motivação do MX para fazer isso também? Teme receber críticas por reeditar músicas consideradas únicas principalmente pelos fãs mais radicais?
A motivação foi nossa mesmo e do público que nos cobrava isso há algum tempo. Acredito que o fato de não alterarmos as músicas é favorável, não estamos recriando, apenas fazendo de forma melhor. As músicas cresceram bastante, podem aguardar. Com relação às críticas talvez aconteça sim, impossível agradar a todos simultaneamente, mas como falei não refizemos as músicas, e isso é, de certa forma, audacioso. Se não confiássemos nas nossas músicas antigas não faríamos isso, pode ter certeza.

Pelo que li, o disco terá participações de gente como o Katon, do Hirax e João Gordo. No que essas participações engrandecer o trabalho?
Sim, o disco terá algumas surpresas sim, No caso do Katon, por exemplo, tivemos um desencontro de datas, estúdio, etc, e ainda nem sabemos se ocorrerá mesmo, mas o João Gordo já está na "fita", e com certeza engrandece demais o trabalho.

Quais as regravações que você considera que ficaram melhores com relação às originais? Qual a previsão de lançamento?
Acredito que todas estão melhores, vocais mais afinados, sem perder a agressividade e com muito mais feeling nas palavras e na temática de cada música, interpretação melhorou muito, cadência mais adequada no instrumental para as músicas.
Quanto às melhores, as mais conhecidas como “Jason”, “Mental Slavery”, “Figthing for the Bastards”, “Dirty Bitch”, “No Violence” e outras melhoraram bastante mesmo, ficaram incríveis. Mas o público vai se surpreender com “I´ll Bring you with me” e “Dead World”, que são minhas preferidas até agora.

Numa entrevista a Andreas Kisser, você mencionou a produção de um disco de inéditas no final do ano. Como você define a sonoridade da banda hoje em dia?
O “Relapse” vai ser lançado no início de 2014 com certeza. A gravadora resolveu adotar esta estratégia, por isso o álbum de inéditas deve começar a ser gravado no final de 2014, início de 2015 e lançado em 2015 mesmo. Não é comum lançar álbuns assim tão próximos hoje em dia, mas vamos fazer. A banda evoluiu muito em termos de composição. Estamos começando a trabalhar com as novas músicas e posso adiantar que será um álbum que vai marcar o MX nessa volta, composições fortes que marcam, refrães, músicas mesclando entre peso e velocidade, com coerência.

Vi vocês recentemente tocando com o Attomica e o Destruction em Catanduva-SP. A banda ainda faz um show forte e preciso. Como manter a forma física para essas performances viscerais?
Eu tenho muita dificuldade com isso pelo fato de tocar bateria e ser vocalista também. Não consigo me segurar na bateria e levar o show de forma mais racional como o pessoal me pede (risos). Toco na adrenalina mesmo e sempre fico destruído, extenuado e quase sempre passo mal depois dos shows. Os outros também se desgastam com certeza, cada um tem uma característica. Eu me preparo evitando álcool em excesso (risos), hidratação... Depois do show inverte tudo isso...(risos). Mas tá na hora de fazer alguns exercícios pra manter o ritmo...(risos).

Da formação original hoje a banda tem você, o Décio, o Dumbo e o Morto. Como você vê o desempenho hoje de músicos experientes em relação à inocência dos anos 1980?
Com certeza mesmo parado muitos anos todos nós estamos mais experientes. Não se trata de tocar mais ou menos, é a experiência que fez o MX melhorar em minha opinião. Nosso intuito não é e nunca foi ser os melhores músicos, temos qualidade sim, mas o que importa pra gente é fazer músicas boas, com começo meio e fim.


Você tem noção de como são vistos pelos fãs (antigos e novos) de metal álbuns como “Simoniacal” (1988) e “Mental Slavery” (1989)?
Hoje tenho um pouco mais de noção, mas confesso que durante anos sem sentar em uma bateria - uns 15 anos mais ou menos - eu não pensei que ainda tivéssemos o nome forte na cena, quando voltamos a tocar que tive a dimensão que o MX ainda é lembrado pelo público metal, isso é sensacional.

A coletânea “Headthrasher´s Live” é vista hoje com uma das mais antológicas compilações do nosso underground, trazendo bandas como MX, Necromancia, Blasphemer e Cova. Foi a primeira aparição do MX em estúdio. Como você vê aquela gravação nos dias de hoje?
A coletânea foi a primeira aparição mais forte do MX com certeza, fomos convidados a fazer parte desta coletânea que foi gravada ao vivo em janeiro de 1987, no Teatro Municipal de Santo André. A gravação por ser ao vivo e naquela época é muito boa se considerarmos as dificuldades que existiam.
  
Você deve se lembrar bem da realidade rústica e sofrida das bandas no começo do metal no país. Instrumentos, estúdios, gravações, shows, divulgação. Hoje no total amadurecimento da tecnologia e da massificação da internet, as bandas produzem música com qualidade (sonora) e a divulgam mais rapidamente. No entanto, fãs mais novos de rock não compram mais música. Que pontos os dias atuais trazem de bom pra quem produz na cena underground?
A facilidade de se gravar hoje é evidente, todo mundo tem banda e grava, rola muita coisa fake também nas gravações. Tem bateria gravada com os bumbos na velocidade que se quiser, tem muita banda que mascara isso tudo e ao vivo se complica. Por outro lado, é bom poder contar com mais qualidade nas gravações e na divulgação. Posso adiantar ao público que o MX gravou na unha o “Relapse”. A bateria por exemplo, me neguei a sequer emendar alguma parte, toquei a música do começo ao fim, como gravava nos anos 1980 e 1990. Fiz questão de fazer assim para manter a identidade como músico e como banda.
  
Me lembro que, em 1996, eu entrevistei a banda para uma matéria publicada num jornal de Rio Preto onde eu atuava, quando ela lançou o “Again”. Que lembranças você tem daquela época? Foram anos difíceis para a música pesada, principalmente para estilos mais extremos?
Ah sim, neste ano o MX estava na cena de uma forma tímida propositalmente, nem ensaiávamos, fazíamos pouquíssimos shows, pois a banda consciente que lançaríamos o “Again” somente pra registrar as músicas que tínhamos. Pra ser sincero, como não estava aprofundado na cena nessa época nem sei se foi tão ruim assim, mas sei que era bem diferente de anos atrás.
  
Olhando para o mercado fonográfico (underground), o que é artisticamente e profissionalmente fazer thrash no Brasil hoje em dia?
Estamos voltando agora, voltamos pelo amor à música pesada e eu particularmente, por amor ao MX. Estamos nos divertindo muito, bons shows, gravando álbum e estamos erguendo a cada dia o nome do MX novamente. Tocar pra ganhar dinheiro e viver disso obviamente não dá. Temos nossos trabalhos extra-banda e isso nos mantém. Artisticamente falando, sim, podemos viver isso na plenitude, se dedicar, e estamos focados, compondo novamente. Isso tudo faz parte dos dias atuais do MX.

Muito se discute sobre o futuro do heavy metal. Você vê novas bandas brasileiras se destacando?
Acho que temos bandas boas sim, algumas com grande capacidade de atingir o mercado mundial. Mas temos muita banda ruim também. Acho que depende muito da banda saber fazer musica, não adianta saber tocar, tem que saber compor, criar e ter coerência nas músicas e esse é o ponto mais fraco que vejo em algumas bandas nacionais.



Quais as suas maiores influências ou bandas que mais consome?
Gosto de bandas de vários estilos, mas que influenciaram em meu perfil como baterista e vocalista é inegável que posso citar Exodus, Slayer, Metallica, Dark Angel, Vio-lence, Testament, Kreator, entre tantas.

Fique à vontade para deixar um recado a nossos leitores.

Gostaria de agradecer a você pela oportunidade, e dizer aos leitores que o MX voltou e conta com o apoio de todos, compareçam aos shows, apoiem a cena nacional. Bangers, o MX agradece vocês sempre!!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Maestrick brilha mais uma vez ao vivo em Rio Preto


O Automóvel Clube é um dos mais tradicionais clubes de São José do Rio Preto. Pra quem não é da cidade, leia-se, um clube de associados classificados como classe econômica B+ ou A. Nos anos 1960 e 1970 sediou muitos eventos relacionados ao rock and roll da cidade. Este mesmo clube foi palco em Outubro de 2013 de uma apresentação da banda Maestrick, nascida em Rio Preto, e que cada ano dá mostras que está buscando (e conseguindo) alçar voos cada vez maiores do que o limite geográfico de sua cidade natal. Já tocou no Peru, tocou no “Roça N´Roll” (Varginha-MG, um dos maiores festivais nacionais do underground, que conta com bandas internacionais), recentemente seu primeiro álbum “Unpuzzle!”, foi lançado na Europa e nos EUA pelo selo alemão Power Prog Records. E em 2013 ainda esteve entre as 10 bandas selecionadas entre mais de 1.000 no país para abrir shows do festival “Monsters of Rock”, onde atuarão nomes como Dr. Sin, Dokken, Ratt, Queensryche, Whitesnake e Aerosmith.


            Dadas às devidas apresentações da banda, vamos ao show. Em setembro o grupo abriu o show do músico Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii), ocasião onde gravou um vídeo-live para a música “H.U.C.”. Mas, nesse show do AC a banda foi mais incisiva. O local tinha um (relativamente) bom público (em se tratando de outros eventos de rock na cidade no mesmo dia). Cerca de 300 pessoas adentraram ao clube para prestigiar as atrações da noite, que ganhou o nome de “AC Rock in Rio Preto”.



            
Para abrir as apresentações, a banda escalada foi a conterrânea Anexa. Com seu hardcore melódico (com um quê de peso a mais) alegrou a turma mais nova ali presente. Além de covers de Charlie Brown Jr, a banda mandou suas músicas autorais, com destaque para “Um dia a Gente se Encontra” (cujo vocalista emocionado dedicou a pessoas falecidas recentemente) e a interessante “Promessas”. Por volta das 23 horas o Maestrick sobe ao palco, trazendo como abertura o conceito de seu primeiro álbum, que mistura arte, teatro, performances de dança, efeitos visuais e claro, música. De imediato se percebe que a banda, ao contrario de outros shows anteriores, contava nessa ocasião com apenas um guitarrista, o competente e estrelado Paulo Pacheco. E a turma superou bem a falta de um segundo homem das seis cordas.
           

O Maestrick iniciou sua apresentação com um som com ótima qualidade e visivelmente empolgante e tranquila, transparecendo uma experiência surpreendente para uma banda tão nova. Fabio Caldeira (vocal), Renato Montanha (baixo), Heitor Matos (bateria) completam o time. As backing vocals Dany e Marilys não atuam apenas como meras coadjuvantes, funcionando com vozes potentes e impactantes para o clima do show. Algumas delas fazendo parceria principal com Fabio. E foram revisitando seu competente e complexo repertório. Músicas como “H.U.C.”, “Yellown of the Ebrium”, “Radio Active”, “Pescador” (com sua levada de “brasilidade” que faz o público cantar junto com a banda e teve a participação de Renato operando uma viola, numa versão bem interessante e diferente das apresentadas anteriormente) fizeram muita gente vibrar (e muita gente que não tinha visto a banda ao vivo se surpreendeu), todas que constituem o primeiro álbum da banda, “Unpuzzle!”, de 2011. “Disturbia” contou com a participação especial de Rodrigo Carmo (vocalista da banda House of Bones, de Bebedouro-SP), que também havia atuado na faixa do álbum. Na balada intensa “Treasures of the World”, a interpretação fez um clima grandioso pra festa. E o final, ao contrário de Queen ou Jethro Tull, que costumeiramente fecham o show, a escolhida desta feita foi “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, numa versão emocional, visceral e impactante. Umas das melhores versões já concebidas dessa música fantástica. Encerraram o show com aquela que já é considerada o grande hit do grupo, “Aquarela”, com suas levadas contagiantes e um forte refrão. Outro ponto de destaque são as costumeiras performances de dançarinos e atores, que apareceram sobre o palco e desta vez no meio do público, enfatizando o conceito teatral de “Unpuzzle!”.

    
O Maestrick está em fase de composição do novo disco, mas ao vivo, a banda parece ter amadurecido num nível bem elevado. Seus músicos parecem à vontade sobre o palco, executando seus complexos temas que nunca deixaram de se enquadrar no protótipo prog-metal, mas com uma variação estupenda de elementos musicais. Nuances de MPB, música erudita e rock clássico são evidentes, aliados a uma execução admirável. Dos shows que presenciei da banda esse foi o melhor. Esperamos em breve um novo trabalho e pela competência de composição e entrosamento ao vivo, a banda rio-pretense tem todas as condições de voar mais alto e concretizar seu nome como uma das mais criativas bandas de metal do país, e que está começando a ser descoberta pelo resto do mundo.