domingo, 2 de novembro de 2014

Cavina lança EP e projeta mostrar seu trabalho no exterior

Quem vivencia o universo do rock no Brasil – leia-se “rock fora da grande mídia” – sabe da soberba qualidade das novas bandas que vem tentando se desenvolver na cena. Além do aprimoramento da técnica musical, muita gente tem evoluído de forma intensa no quesito produção. E quando nos deparamos com bandas que trilham esse caminho baseando-se em seu trabalho autoral, nossa admiração beira as raias da euforia. É isso que vem acontecendo com o power trio Cavina. O grupo, formado em 2012 pelos irmãos Matteus Cavina (guitarra/vocal) e Eduardo Cavina (baixo/vocal) e por Avner Bonifácio (bateria), vem da capital paulista e lançou recentemente seu segundo registro de estúdio, o EP “Cavina”, além de disponibilizar um vídeo clip para a faixa “All The Shit That We Have Done”. A banda têm galgado importantes passos rumo ao crescimento da carreira. Suas músicas tocam em Web Radios de países como Espanha, Inglaterra, México, EUA e Canadá, além de resenhas em importantes veículos musicais nacionais, como as revistas Rolling Stone e Rock Brigade e o portal Whiplash. Consta ainda em seu currículo a abertura de shows de gente como Paul Di’anno e Shaman.

Recentemente a banda assinou com Wikimetal Music, que fará a distribuição internacional de seu trabalho. E por falar em internacional, a banda vislumbra em breve levar seu show além das fronteiras brasileiras, tendo inclusive já recebido alguns convites.

As influências confessas dos músicos abrangem nomes de diferentes escolas como Black Sabbath, Pantera, Sepultura, Motorhead, The Black Crowes, Alice in Chains, Led Zeppelin, Chucky Berry e The Beatles. Mas a música do trio não soa idêntica a um artista específico.



O EP “Cavina”

O que se percebe é que o trio trabalha no sentido de conceber uma linha musical com uma identidade bem própria e pelo que se ouve de sua música, tem atingido esse objetivo. Não é tarefa fácil rotular o som que os rapazes fazem. A base é heavy metal, mas com uma variação nas harmonias que foge do lugar comum. Uma variação de vocais ora limpos, ora com nuances de guturalismo (próximo ao que Phill Anselmo fazia no Pantera), casa muito bem com a intensidade agressiva dos instrumentos, que tem velocidade na hora certa e peso e cadência que jogam a favor do bom gosto das composições. As músicas foram gravadas no Estúdio Lamparina (São Paulo) e foram produzidas pela banda e por Guto Gonzalez (dono do estúdio) e masterizadas pelo Tiago Hospede.
As faixas seguem destinos bem distantes umas das outras. Após a “Intro”, cujos efeitos remetem diretamente ao tema conceitual, o trabalho começa pra valer com “Sokratis’s Demons”, que alterna rapidez e andamentos quebrados, recheados de wah-wah na guita e atuação precisa da batera. Os fraseados vocais são bem cadenciados e com aquela dose de agressividade. Já “Stolen” inicia-se com um riff encorpado, que entoa uma levada de voz com muito groove, faz a faixa desenbocar num refrão que gruda na mente. Pra mim, o carro chefe do EP. “My World” é outra bem variada, com a cadência das paletadas e que flerta bastante com o prog-metal. Um baixo com um timbre no talo abre “Better”, que se apresenta pesada e com boa dose de melodia no vocal, nos remetendo às bandas de alternative-rock nos anos 1990, mas com arranjos mais elaborados e polidos. Talvez a faixa mais melódica do disco, com um excelente trabalho de guitarra. E fechando o trabalho, vem “All The Shit That We Have Done”, com seus vocais dobrados e com outra injeção de groove do baixo, efeitos da guita e a precisão das viradas da bateria. As músicas estão muito bem produzidas, propiciando identificar (e avaliar) separadamente o trabalho de cada instrumentista.

Além de trilhar sonoramente em rumos bem peculiares, as músicas tem uma base lírica bem aprofundada e consistente. Fazem parte de um projeto de 2 EPs (cada um com 6 canções) e são baseadas no livro “O 12º Planeta”, que Matteus têm lido constantemente, desde que a banda ainda não existia. O teor místico e científico do tema inspirou inclusive o design do logotipo da banda. O guitarrista mostra-se profundo conhecedor do tema, buscando inspiração também em outros autores. Matteus mostra ter uma visão bem realista sobre o que quer para a banda e a realidade da cena metal no país.





Uma conversa com Matteus

Ready to Rock - Conte-nos um pouco sobre a formação da banda. Desde o principio a proposta era trabalhar em material autoral?
Matteus Cavina -  Sim, desde o principio a ideia era autoral. Porém, o projeto era para ser um disco solo meu. Convidei um produtor que também é meu amigo, Eduardo Palla, para gravarmos a pré-produção no meu estúdio caseiro.
Na hora de colocar os vocais, o Palla sugeriu que meu irmão cantasse para ver como ficava na voz dele as músicas (que no caso eram “Stolen”  e “All the Shit that We Have Done”). Como o Eduardo (meu irmão) havia acompanhado as gravações durante a semana toda, ele topou e gravou. O resultado foi além do que imaginávamos e na hora um olhou pro outro, meio que já sabendo o que ia rolar. Eu só perguntei se ele toparia entrar e ele topou na hora. Então, meu irmão Eduardo saiu de todos os projetos que ele estava envolvido para se dedicar só ao CAVINA.  A partir daí, começamos a compor juntos, mas ainda precisávamos de um baterista. Em setembro de 2012, um amigo me disse que tinha um cara de Rio Claro que tinha curtido muito o som (pois soltamos as duas músicas na net, na versão demo mesmo) e que esse cara queria mandar um vídeo tocando essas musicas pra gente ver. Quando recebemos o vídeo do Avner, eu e o Eduardo ficamos impressionados e já marcamos o primeiro ensaio. Foi então, que no fim daquele mês, ensaiamos e logo de inicio rolou muita afinidade musical, aquela “mágica”, sabe? Mesmo o Avner vindo com outras influencias musicais que não batem tanto com as minhas nem as do Eduardo, mesmo assim, tudo se completou e já éramos um trio, tínhamos uma banda.

RR - As músicas são baseadas no livro “O 12º Planeta”, que fala sobre a presença alienígena na Terra. Você tem um bom fascínio sobre Nibiru. Conte-nos até que ponto isso influenciou a concepção musical do trabalho.
Matteus - Pois é, eu sou bem envolvido com esse tema, não só Nibiru e toda teoria do livro “O 12º Planeta” de Zecharia Sitchin , mas também toda a teoria que propõe o escritor Erich Von Däniken (autor do livro “Eram os Deuses Astronautas”), além de outros autores, acho que tem muita coisa por trás de nossa história, muita coisa que nos é ocultado por questões políticas e religiosas. É clichê dizer, mas Maquiavel nos deu “O Príncipe” e muitos líderes do mundo bebem desse conteúdo e por isso sabem do caos que se instalaria na terra se, por exemplo, a fé fosse abalada com uma noticia oficial mostrando que não estamos sós e que nossa evolução não foi nada daquilo que você aprendeu na escola. Esse tema na verdade, influência diretamente na concepção musical do CAVINA até agora, mesmo por que, tem muita coisa pra falar ainda e com certeza o faremos nas próximas obras. O Eduardo definiu de forma clara e resumida o conceito da obra em uma entrevista sobre o lançamento do EP. Ele disse: “Essa obra é uma percepção da banda sobre a evolução do Homem e da Sociedade ao longo dos tempos, baseado na Teoria do Astronauta Antigo”. Pronto, é exatamente isso.

RR - O EP todo soa excelente no quesito composição, mas a faixa “Stolen” me chamou muito a atenção por sua incrível qualidade. Tem alguma música que você curte mais por algum motivo específico?
Matteus - Me sinto grato por saber disso, também tenho “Stolen” como uma de minhas favoritas, mesmo por que, ela foi a primeira música que escrevi para o CAVINA. Eu gosto de todas, por que cada uma te leva a uma parte dessa historia que queremos contar, mas eu tenho um carinho especial por “Better”, por ser uma música muito introspectiva. Ela na verdade é um blues e o conceito do blues é de algo simples, vindo da alma, com intenção verdadeira. O Guto Gonzalez captou uma interpretação de voz do Eduardo que eu particularmente achei incrível e tentei repetir isso, em um improviso que veio a se tornar o solo dela. Eu gosto muito de como ela soa sombrio, freak e melancólica ao mesmo tempo, contrastando com a mensagem da letra que é a busca interna para se tornar um ser melhor, transformando o que você tem de menos, no seu melhor, como diz no refrão. Quando o Eduardo berra isso, quase que suplicando e te convencendo, é de arrepiar. Esse é o momento que eu considero que você conseguiu decifrá-la, é aí que parece que a música te acolhe, entende? Como se mostrasse que você não é o único e que mesmo com o pouco que têm, você pode transformar isso em algo poderoso. Está tudo na sua mente e na sua memória genética.

RR - A trajetória do Cavina é relativamente breve. Mas em pouco mais de dois anos vocês produziram muito material. Quais os planos da banda em termos de carreira?
Matteus - É verdade, nesse mês de outubro a banda completa apenas dois anos, mas conseguimos fazer bastante coisa nesse curto espaço de tempo. Nós temos um contrato de distribuição digital mundial do EP com a Wikimetal Music e nossos planos são o de lançar mundialmente em 2015 o EP, não só em CD, mas também em vinil. Também temos mais um vídeo clipe pronto e o show que fizemos com transmissão ao vivo pela internet, no dia do lançamento mundial do EP, direto do Estúdio Lamparina em São Paulo. Tudo isso será lançado ainda. Também temos planos para o CAVINA na Europa e Estados Unidos em 2015, que já estão em andamento.


RR - Você me falou da possibilidade de sair um full lenght, agregando os dois EPs, certo?
Matteus - Sim. Com um full lenght, a obra estaria completa, com as músicas na sequência exata da historia que estamos contando, mas, estamos pensando em antes lançar o segundo EP (que seria a outra metade, a parte 2 da obra) e depois o álbum inteiro com um material gráfico mais completo e detalhado e com uma faixa bônus, “ Walking Through The Valley To The End” que é a música que fecha a obra e nunca foi lançada. Uma coisa interessante é que as musicas desse primeiro EP que lançamos, não estão na ordem da história que estamos contando. Para entender o conceito, ou essa “percepção” como  chamamos, você precisa da segunda parte.

RR - O EP foi produzido por você e pelo Guto Gonzalez (Lamparina Estúdio-São Paulo/SP). Você ficou satisfeito com o resultado do som obtido?
Matteus - É claro que de acordo com a vontade e opinião do Eduardo e do Avner, eu encabeço a produção da parte do CAVINA e o Guto Gonzalez na produção, gravação e mixagem do EP dentro do estúdio. Trabalhar com o Gutão é uma experiência incrível para qualquer banda de qualquer estilo, pois ele consegue ver a essência do som e sacar a proposta real da banda, daí ele sabe como terá que produzir e captar isso para o disco. No nosso caso, ele sugeriu o que nós queríamos também, que era captar o CAVINA como a banda é ao vivo: cru e pesado. Também não colocamos base de guitarra em solos, justamente para mostrar a banda na sua realidade de trio. O clima lá no estúdio Lamparina é muito inspirador e como conhecemos o Gutão de longa data e ele conhece a personalidade musical minha e do meu irmão principalmente, tudo ficou muito mais fácil.  No caso das guitarras, por exemplo, fizemos tudo praticamente em um take só e o Gutão sempre presente na produção e  extraindo o nosso melhor  a todo momento . A masterização  ficou por conta do Tiago Hóspede (ex- DEAD FISH, atual THE SILENCE e TEXAS CURSE),  que também acompanhou a gravação e manifestou esse interesse, o que nos deixou muito empolgados e certos de que o EP estava nas mãos certas. Gravamos tudo na real mesmo em três dias, o resto foi festa. (risos)

RR - Como está o ritmo de shows para o Cavina hoje em dia?
Matteus - Tocamos bastante nesses dois anos e em Setembro de 2014 encerramos nossos shows no Brasil, pois agora estamos nos preparando e trabalhando, para em 2015 levar o CAVINA para outras partes do mundo.

RR - Como você mensura a aceitação pública do trabalho da banda?
Matteus - Olha, a aceitação foi muito maior fora do Brasil. Países como Inglaterra, Espanha, Estados Unidos e Itália nos deram um feedback do qual nem esperávamos. Tivemos a surpresa de um importante produtor musical norte-americano que entrou em contato com a gente e já estamos conversando também, além de outras propostas que estamos analisando. O EP está sendo vendido em mais de 100 países nas plataformas digitais Amazon, Itunes, Deezer, Spotify, dentre outras e divulgado em rádios na Espanha e Estados Unidos e em webradios em outros países. Isso está gerando um interesse para que haja shows do CAVINA nesses lugares. É nisso que estamos trabalhando.

RR - Para o ano de 2015, você me disse que pretende investir num material promocional que envolverá a prensagem em LP e outros materiais de marketing. Isso pode ser um diferencial para a divulgação do nome Cavina?
Matteus - Sim, claro. Eu, quando era moleque, gostava de comprar os discos com letra dentro, pôster, uma arte bem elaborada e tudo mais. Ficava por horas ouvindo CD/Vinil e olhando as capas, alimentando a imaginação, tentando decifrar o porquê disso ou daquilo. Isso faz parte de toda a magia que existe em torno do rock e do metal, por isso, pretendemos fazer o melhor para nosso material, tanto em CD ou vinil, ou mesmo camisetas e outros materiais, que é para que o ouvinte se torne fã e possa,  não só ter consigo em mãos a obra para  ouvir e apreciar, mas também um material exclusivo e de primeira qualidade que vai durar por anos.

RR - Trabalhar com seu irmão na banda é um ponto que favorece muito? E, por ser ele obviamente  muito próximo a você, rola alguma divergência musical mais impactante?
Matteus - Sim, é um ponto que favorece muito. Se você pensar da minha perspectiva, o CAVINA sou eu, meu irmão e um amigo! Ou seja, quem tem banda sabe, uma das grandes vantagens do trio é essa: problemas praticamente nulos. Apesar dos três terem personalidades fortes e presentes, eu só tenho que lidar com meu irmão (que é só um ano de diferença de mim, crescemos juntos, somos melhores amigos, temos os mesmos amigos e ouvimos praticamente as mesmas coisas) e com o Avner que se tornou um grande amigo nosso e é uma ótima pessoa, tanto na banda, como fora dela.
Nesses intensos dois anos nunca tivemos uma discussão, longe disso. Pensamos tanto pró música, a arte em si, que não tem espaço para egos. Falo isso, pois todos sabem como existem “brigas de ego” dentro de bandas, aliás, grandes bandas já acabaram por isso. No CAVINA isso não existe, mesmo por que, não fazemos nada que não seja um desejo unânime dos três. Mesmo nas composições, se eu chego com um esqueleto de música, o Eduardo e o Avner parecem que entendem exatamente o que é aquilo e começam a compor em cima, dar opiniões, etc, e cara, sempre o resultado final é exatamente aquilo que os três queriam. Essa “afinidade” que temos, transparece muito ao vivo também, o Avner improvisa ao vivo comigo coisas que nunca combinamos e sai perfeito! O mesmo acontece com meu irmão, aliás, eu e o Eduardo sabemos até o que o outro está pensando só de bater o olho. O fato de cada um ter suas influencias musicais só agrega nas composições. Eu sou do metal Sabbath, do grunge do Alice in Chains, do blues e do rock n’roll de Chucky Berry a Black Crowes, o Eduardo já vem do thrash metal do Slayer e Metallica,  passa pelo hardcore old school, mas também é um fanático por Beatles. Já o Avner é do metal do Helloween, Angra, ao progressivo do Dream Theater. Claro que temos muitas influências em comum também, mas é muito diferente os três e é isso que eu acredito ser o diferencial nas composições, essa mistura.

RR - Qual a realidade de uma banda que faz heavy metal autoral encontra, sendo formada nos últimos anos?
Matteus - O que eu vou falar é uma percepção particular minha. Eu acho que até serve para todos os estilos, não só o heavy metal: Se você se dedicar para ser bom no seu instrumento, fizer música boa com conteúdo, reunir uma banda com pessoas que tem o mesmo ideal que o seu, ensaiar e ensaiar para que sua apresentação seja impactante, gravar um disco ou EP em um estúdio profissional, com equipamentos e instrumentos de alta qualidade e com um produtor que entenda sua proposta, se preocupar em colocar isso na internet de modo que você não desvalorize seu trabalho, mas que mantenha sempre difundindo pelos canais corretos e buscando sempre fazer novos contatos,  é difícil você não conseguir se destacar. É claro que hoje em dia as coisas são mais difíceis para artistas novos como a gente, ainda mais aqui no Brasil, mas não são impossíveis. Se você estiver disposto a sair de sua zona de conforto e encarar grandes mudanças em prol da música e do heavy metal e trabalhar para que isso aconteça, com toda sua determinação focada nisso, eu acho que tudo é possível.
Você pode acompanhar hoje várias bandas de heavy/hard de alta qualidade  se juntando, às vezes criando até uma base de suporte mesmo, como é o caso de um projeto bem legal que vi, o BASE ROCK, que são varias bandas que se uniram criando  um suporte maior entre elas  para shows, tour, criar eventos, vender os discos e merchandising  das bandas etc., ampliando o espaço na mídia para novas bandas autorais e que está funcionando. Bandas que inclusive conheço e indico: Mattilha, SUN, Burlesca, Trezzy, Shocker e Sioux 66, outras que também estão aparecendo com força como a Furia Louca, Maestrick, Texas Curse, Mão Santa, Ralo, Motordrunk, Motel à Vista dentre outras. O lance é ter determinação e se organizar.

RR - Fique à vontade para deixar uma mensagem final a nossos leitores.
Matteus - Gostaria primeiramente de agradecer a você, Júlio Verdi,  por essa oportunidade e também pelo seu empenho e dedicação ao Heavy Metal em todos esses anos. Gostaria de agradecer também à nossa família,  aos amigos e fãs do CAVINA, ao Estúdio Lamparina, All Vivus e à Wikimetal Music  pelo suporte. Fiquem ligados que  ainda esse ano sairá mais um clipe do CAVINA  e o show ao vivo completo que fizemos no dia do lançamento mundial do EP.
NO GUT’S, NO GLORY! CAVINA!
Forte abraço, Matteus Cavina.

Mais informações sobre a banda, acesse www.facebook.com/cavinaofficial


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Salário Mínimo - banda fala sobre sua carreira e o novo disco

            O Salário Mínimo se enquadra na categoria de banda precursora. Afinal, junto a nomes como Golpe de Estado, A Chave do Sol e Platina fez parte da primeira geração daquele hard rock mais pesado e elaborado do que alguns emergentes dos 70 praticaram. Com sua data de formação oficializada em 1981, a banda debutou em estúdio 1984. Naquele ano, coletânea “SP Metal” mostrava o poder de fogo da banda, nas faixas “Cabeça Metal” e “Delírio Estelar”. A partir daí a banda galgou cada vez mais espaço com seu show enérgico e divertido, até que em 1987 a banda conseguiu lançar seu primeiro LP, “Beijo Fatal”, que saiu pela então major RCA e chegou a vender 78 mil cópias. Mais tarde a bolacha foi lançada em forma digital.    


            Após uma pausa em sua carreira nos anos 1990, a banda retornou em 2004 e soltou em 2010 seu segundo álbum, “Simplesmente Rock”, que mostrou um grupo maduro e que caprichou na produção sonora. Abriu recentemente shows de grandes nomes internacionais como Scorpions, Twisted Sister, UDO, Uriah Heep e The Rods. A banda conta hoje em suas fileiras com China Lee (vocal), Daniel Beretta (guitarra), Junior Muzilli (guitarra e voz), Diego Lessa (baixo e voz) e Marcelo Campos (bateria).

               Conversamos com o vocalista China Lee (presente desde as primeiras formações do grupo) e com o baixista Diego Lessa, sobre passado e presente do Salário e sua visão sobre a cena do rock/metal do Brasil hoje em dia.



Ready to Rock - China, como você, dentro da banda enxerga a importância do Salário Mínimo na história do rock e hard-rock brasileiros?
China: Eu acho que a banda contribuiu e vem contribuindo para o Heavy Metal Nacional, somos uma banda que faz bastantes shows e trabalha muito em prol da cena.

RR - A banda cessou as atividades em 1990, retomando-as em 2004. Porque a banda acabou naquela época e o que motivou essa volta?
China: A banda acabou naquela época porque eu resolvi sair da banda e seguir novos trabalhos com outros músicos no Extravaganza. A motivação da volta foi, após um show na Led Slay, onde quase mil fãs cantavam nossas musicas enlouquecidamente, foi quando percebi que a banda Salário Mínimo estava mais viva do que nunca mesmo depois de tantos anos longe dos palcos.



RR - “Simplesmente Rock” é um álbum que esbanja variedade. Os efeitos de wah-wah estão por toda parte, têm músicas pesadas como “2000 Anos” e “Delírio Estelar”, outras mais cadenciadas e cheias de groove (“Sofrer”, “Sob Seus Pés”), baladas (“Voyer”, ”Ao Menos em Sonho”) e outras na linha hard tradicional, como “Homens com Pedigree” e “No Seu Mundo” (totalmente ‘vanhalística’). Como foi o processo de composição do álbum?
China: Havia muitas musicas paradas que foram oferecidas para mim por compositores que eu gosto muito e já trabalharam comigo em outros projetos anteriormente e inclusive no próprio Salário e com a nova formação fomos escolhendo as melhores musicas.

RR - A faixa “2000 Anos” tem uma letra interessante. Como foi sua inspiração?
China: Essa musica é de um dos compositores que fez parte da banda na nossa volta em 2004. Alan Flavio foi guitarrista da banda e compositor dessa musica, ela tem uma forte influência espiritual, ele desenvolveu essa musica lendo livros espíritas. Quando ele me mostrou a musica, eu me apaixonei por ela e tentei interpretar da melhor maneira possível.

RR - Gostei muito da produção do disco. Como o trabalho de Henrique “Babbom” (AudioPlace) foi crucial para esse resultado?
Dieego Lessa: Sim, o Baboom foi e é um dos melhores produtores que conhecemos. Um profissional excelente, ele veio não só para somar, mas sim para multiplicar dentro da banda, o “Simplesmente Rock” foi o nosso primeiro trabalho com ele e gostamos muito do resultado que chegamos no disco, ele também é o produtor do nosso novo single “Fatos Reais”, com certeza foi o primeiro de muitos com o Henrique Baboom.

RR - O disco foi lançado também na Europa pelo selo português Metal Soldiers Records. Como você tem sentido a reação dos fãs (brasileiros e estrangeiros) com relação ao “Simplesmente Rock”?
China: A aceitação foi melhor do que imaginávamos, muitos fãs gostaram muito, outros não, até porque não conseguimos agradar a todos, mas bem que gostaríamos, mas o interessante é que esse disco vem conquistando lentamente os nossos fãs mais radicais.



RR - Após o lançamento de “Simplesmente Rock”, a banda lançou o single “Fatos Reais”, que faz uma crítica social em face da realização da Copa do Mundo no Brasil. Qual sua visão sobre esse evento e essa faceta política da banda?
Dieego Lessa: Só para esclarecer algumas coisas, não somos contra o futebol e muito menos contra esse evento mundial, nós temos algumas objeções em relação àqueles que governam nosso país e com todos aqueles gastos absurdos e superfaturados com esse evento aqui no Brasil, em vez de gastarem com o que realmente é e era necessário, só se preocuparam durante quatro anos com essa festa dentro do nosso quintal e esqueceram das reais prioridades.

RR - Têm planos para um próximo álbum de estúdio?
China: Sim, claro, temos muitos planos, estamos finalizando as composições para o novo álbum e em breve estará na boca de todos os bangers.

RR - Como anda o mercado de shows para o Salário Mínimo nos dias de hoje?
China: Levando em consideração que estamos no ano de copa e eleições, não podemos reclamar, para nós está melhor do que esperávamos, temos shows até março de 2015, mas o ano de 2013 foi muito melhor.

RR - Como você vê o cenário atual do rock (principalmente o underground) no Brasil?
China: A cena está crescendo mais e mais, muitas bandas voltando, novas e excelentes bandas surgindo e o publico cada vez mais valorizando a cena.

RR - A compra de discos está relegada hoje a uma classe de fãs de fazem questão de produtos originais. Mas sabemos que uma gigantesca parcela de consumidores de rock vai fazer o download. Você acha que as tendências tecnológicas da internet ajudam ou atrapalham as bandas autorais?
China: Eu acho que ajudam, os fãs podem fazer o download na internet para ter uma prévia do disco, caso goste ele pode comprar o disco físico.

RR - Olhando pra traz, e relembrando a árdua trajetória das bandas hard/metal nos anos 1980, qual você consideraria a maior conquista do Salário?

China: Sobreviver até hoje e ter na nossa plateia, um publico que é na sua maioria constituído por jovens entre 18 e 25 anos, isso nos dá cada vez mais força para continuarmos a nossa missão sem descanso, até porque a gente sem os nossos fãs não seriamos ninguém.




Para maiores informações sobre a banda, acesse: http://www.bandasalariominimo.com.br

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Korzus prestes a lançar novo disco, "Legion"

O Korzus é reconhecido e respeitado pela maioria dos fãs da música pesada nacional como uma das maiores instituições no estilo thrash do país. Enquanto nosso maior representante internacional, o Sepultura, mesclou, ao longos dos anos, elementos variados em sua música, o Korzus manteve-se firme às raízes agressivas e clássicas do thrash. Depois do super brindado e excepcional “Discipline of Hate” (2010), a banda lança (em escala mundial) nas próximas semanas seu novo álbum, “Legion”. Batemos um papo com Marcello Pompeu, vocalista da banda, sobre o lançamento e outros tópicos que envolvem o Korzus e a cena do metal nacional.



ReadytoRock - O Korzus estará lançando em breve “Legion”, sétimo disco de estúdio da banda, celebrando 31 anos de carreira. Lá em 1983, você imaginaria que a banda chegasse a este patamar?
Marcello Pompeu - Nunca bro, fico muito feliz com isso, saber que fiz da minha vida a minha paixão é muito legal.

RR - Eu considero “Discipline of Hate” (2010) a melhor produção do Korzus, pois além da tradicional qualidade das composições, o trabalho tem uma qualidade sonora fantástica. O que podemos esperar do “Legion”, em termos de musicalidade e produção?
Pompeu – Bom, eu acho melhor...mas sou suspeito.....(risos).

RR - “Legion” manterá a tradição da banda de incluir um faixa em português?
Pompeu - Sim, a faixa chama-se “Vampiro”.

RR - Qual a previsão de lançamento de “Legion”?
Pompeu - Dia 24 de outubro na Europa e Brasil, e dia 2 de novembro nos Estados Unidos.

RR - Nestas três décadas muita gente (onde me incluo também) considera o Korzus a principal banda de thrash tradicional (vamos dizer assim) do Brasil, respeitada e reverenciada por dezenas de bandas que fazem música pesada em nosso país. Como é se sentir referência para uma nova geração de músicos?
Pompeu – Bom, nunca pensei nisso, mas se for mesmo é uma grande honra saber que nosso trabalho estimula novos músicos, novas bandas, pois nosso objetivo é deixar a cena brasileira muito forte em todos os termos e seguimentos do metal. Estamos muito felizes como as coisas estão indo aqui no Brasil, vemos que nossa batalha não foi em vão.

RR - O Korzus esteve algumas vezes em turnês internacionais. Como é o hoje o mercado de shows, norte americano e europeu, para a banda?
Pompeu - Quando surge algo que realmente vai de encontro com nossas necessidades, e com a nossa visão do que é o melhor para o Korzus,  nós fazemos. Agora, se for papinho...mimimi....pegadinha, a gente tá fora bro. O Korzus não precisa de farelo porque já tem seu mercado aqui, se for pra ir pra fora, tem que ser bola 7.


RR - Em entrevistas há algum tempo você dizia que o crescimento da banda se deu pelo conceito adotado de tratá-la como uma empresa, onde cada membro teve sua responsabilidade definida. Este modelo continua funcional para a banda?
Pompeu - Sim, é isso que nos torna forte e acima de tudo.

RR - O Korzus teve lançada sua licença própria de cerveja, a exemplo de várias outras bandas nacionais. Essa aderência do nome da banda a outros produtos de marketing seria uma ferramenta para agregar mais visibilidade à divulgação da sua musica?
Pompeu - Não, simplesmente para explorar mais a marca e nosso nome. Cerva é negócio, metal é musica.

RR - Uma pergunta que sempre faço às bandas que entrevisto e não seria diferente com o Korzus. Como você vê o atual mercado de shows nacional, no tocante obviamente à seara do heavy metal?
Pompeu - Na música, especialmente a pop é uma merda, só tem música de ladrão e mina ligeira. No metal as coisas estão crescendo, a qualidade aumentando e banda boa tem público. Banda ruim, enquanto não melhorar, vai ficar reclamando. Isso faz parte, e o principal é que a renovação esta ótima.

RR - Você atua também como produtor e tem contato com muitas bandas novas. Algum nome específico que você vê como possibilidade de se tornar também uma grande banda do metal nacional?
Pompeu – Sim. A Nervosa, por exemplo, já é. A cena metalcore/hardcore está forte. A nova onda do novo thrash cantado em português está tomando uma dimensão fantástica. Tem também o Noturnall, Tierra Mystica, Terra Prima, Válvera, Jack Devil, Woslon, enfim, várias bandas fazendo barulho e movimentando muito a cena.

RR - Nem vou discutir sobre o impacto da tecnologia no mercado da música (pois é algo irreversível). Apenas questionar se a febre popular das redes sociais é uma ferramenta que ajuda de forma relevante o Korzus, na demanda de shows, por exemplo?
Pompeu - Você tem que se adaptar senão morre, e o Korzus também está adaptado ou adaptando-se, sei lá...Mas estamos ligados em tudo o que rola nesse sentido.

RR - Até onde você acredita que o Korzus se manterá forte e ativo? Vemos nomes como Black Sabbath e Judas Priest lançando discos maravilhosos, praticamente no final de suas carreiras, com seus músicos passando dos 60 anos. Claro que trata-se de estilos bem diferentes da música agressiva e enérgica que o thrash representa. Na sua visão, até quando nomes como Slayer, Kreator, Sepultura e Korzus poderão manter-se nesse padrão de música extrema?
Pompeu - Até (onde) a saúde deixar....(risos).....Todos nós vamos precisar dela para ir até onde ainda não imaginamos, nem que seja no inferno....(risos)


RR - Obrigado por sua atenção, e tenho certeza de que “Legions” será outra grande obra do Korzus, mantendo-o no topo do estilo no país. Fique à vontade para deixar alguma mensagem para nossos leitores.
Pompeu - Obrigado pelo espaço e se preparem - o “LEGIONS” está chegando pra abalar. Abraços a todos e fé no metal brasileiro, vejo vocês no mosh pit.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Maestrick inaugura novo formato de show

Desde que lançou seu primeiro álbum, o saudado “Unpuzzle!'' (em 2011), o Maestrick vem trilhando um caminho de crescimento e tem se tornado cada vez mais um nome conhecido e forte na cena rock/metal do pais. Com o disco lançado recentemente na Europa, com participações em festivais de porte do “Roça in Roll” (Varginha/MG), dividindo palco com atrações nacionais e internacionais de renome, e figurando entre as 10 escolhidas na seletiva nacional do festival “Monsters os Rock” de 2013, a banda se encontra atualmente em meio à pré-produção do segundo disco, previsto para sair ano que vem. Além disso está trabalhando num projeto em homenagem ao falecido vocalista Dio, onde gravará a faixa “Rainbow Eyes”, junto à Orquestra Belas Artes de  São José do Rio Preto, composta por cerca de 20 jovens músicos.



Sobre os palcos a banda tem evoluído e lapidado a olhos vistos suas apresentações. E foi o que aconteceu na noite de 20 de julho, quando o grupo retornou ao Vila Dionísio (São José do Rio Preto/SP), local de sua primeira apresentação. A banda inaugura agora um novo formato de show, ao qual batizou de “The Trick Side of the Songs”. O set mescla suas excelentes músicas próprias com releituras de clássicos do rock que inspiraram seus integrantes. Aí fica a pergunta. Teria o Maestrick se rendido à onda dos covers? Tem duas situações claras que demonstram uma negativa a tal questão. Muitos dos jovens presentes nesse show cantaram e agitaram mais nas músicas autorais da banda do que nas versões. E a segunda é justamente pelas músicas se tratarem disso mesmo: versões. Algumas ficaram bem fiéis a seus arranjos originais, como “Perry Mason” (Ozzy), “Save Me” (Queen) e “Highway Star” (Purple). Já outras ganharam a cara da banda, com passagens variadas e um ganho substancial no peso, como “Aqualung” (Jethro Tull) e “While My Guitar Gently Weeps” (Beatles, que ficou fantástica). Essas últimas duas por sinal já foram executadas em outros shows anteriormente.



Após uma brincadeira com “Moby Dick/Immigrant Song” (Led) a banda inicia o set da noite com “Radio Active”, do “Unpuzzle!”. Suas músicas parecem soar cada vez melhores ao vivo, como seus hits “H.U.C” e “Aquarela”. Após “Yellown of the  Ebrium” e “Puzzler” e talvez a mais pesada do disco, “Disturbia”, mandaram uma versão praticamente acústica de “Pescador” e uma arrasadora da (magistral) “Treasures of the World”. E foram intercalando seu material próprio com as releituras supra citadas. E com algumas surpresas como a presença do baterista Heitor nas primeiras vozes de “Throught her Eyes” (Dream theater ) e com a backing vocal Carol dividindo as estrofes de “Perfect Strangers” (Purple) com o vocalista Fábio Caldeira. Esquentando as turbinas para o projeto em homenagem ao Dio, a banda mandou também um enérgico medley com três canções do cantor, "Tarot Woman" e "Kill the King", do Rainbow e "Stand Up and Shout", de sua carreira-solo.

Falando em termos de formação, poderíamos dizer que se tratam de quatro rapazes-prodígios (já que não mais garotos há tempos). E como exalam pericia e habilidade com seus instrumentos. Junto a Fabio Caldeira (vocal), Heitor Mattos (bateria), Renato “Montanha” (baixo) e Paulo Pacheco (guitarra), e das backing vocals Dani Castro e Carol Penhavel, o show contou com a participação do tecladista Mauricio Lopes (Motordrunk), anunciado por Fábio como uma presença constante nas próximas apresentações.



O Maestrick já tocou em palcos maiores e com produções mais elaboradas. Mas esse foi até agora o melhor show que presenciei da turma. A razão disso talvez seja o fato de que a banda estava bem à vontade e, com muita tranquilidade, mostrou uma segurança de veteranos. Suas complexas músicas saem com uma pontualidade e naturalidade espantosas. Quase ao término do show, Fábio anunciou que um novo projeto está em planejamento: uma apresentação de todas as músicas do “Unpuzzle!”, em companhia da orquestra filarmônica da cidade, comandada pelo maestro Paulo Buchala, que por sinal estava presente naquela noite do Vila.


Aguardemos ansiosos pelo novo álbum e pelos projetos especiais, na certeza de que a banda está cada dia mais afiada, ganhando contornos de amadurecimento, e praticamente pronta para alçar voos cada vez maiores. No complicado cenário do mercado musical brasileiro das bandas de rock como é salutar nos depararmos com um grupo tão produtivo e focado como o Maestrick.