quarta-feira, 22 de julho de 2015

Taurus: forte, ativo e preparando DVD/CD ao vivo


Para quem acompanha a trajetória do heavy metal em nosso país, é chover no molhado ressaltar a importância no nome Taurus nesse cenário. A banda carioca, que lançou em 1986 o clássico “Signo de Taurus”, continua viva e forte em seus propósitos. Após um breve intervalo a banda retomou a carreira lançando o impactante “Fissura”, em 2010 e, entre a rotina de shows, prepara mais alguns lançamentos, dentre eles um novo álbum de estúdio. O Ready to Rock conversou com o baterista e fundador Sérgio Bezz sobre o passado da banda e seus projetos atuais. Completam hoje esse monstro sagrado do thrash nacional, seu irmão Cláudio Bezz (guitarras), Otávio Augusto (Voz) e Felipe Melo (Baixo).


Ready to Rock - A primeira pergunta não poderia ser outra. Como está a situação da carreira do Taurus nos dias de hoje?
Sérgio Bezz - Estamos ativos! Fazemos poucos shows, mas cada um se transforma em uma celebração, trazendo muitos fãs de muitos anos, e novos também. Nosso último lançamento foi a participação no “Super Peso Brasil”, um projeto que reuniu bandas que fizeram parte da história do metal brasileiro dos anos 80, cantando em português. Esse projeto se tornou um DVD e CD. Estamos preparando um novo de inéditas, talvez para o próximo ano.

RR- O disco “Signo de Taurus” (1986) é considerado um dos maiores do heavy metal do Brasil. Como você, de dentro da banda, vê hoje esse disco?
SB - Com muito orgulho, sem dúvida. Foi um momento muito bom. Éramos bem novos, e tínhamos um espírito mais desbravador. Tivemos esse resultado, de uma qualidade, acho eu, até hoje interessante.  A cada vez que ao vivo tocamos as músicas, o sangue corre. Participei de algumas composições dele, e é ótimo ver bandas iniciando suas carreiras e fazendo covers desse álbum. Acredito que já escutei gravações de todas as músicas dele.
  


RR - A partir do “Trapped in Lies”, a banda evoluiu num direcionamento mais técnico e de produção. Aquele disco poderia ser o “Schizophrenia  do Taurus?
SB - É difícil essa comparação. Nunca pensei nisso. Há um sentido de evolução musical do primeiro para o segundo álbum, isso é notório. O “Trapped in Lies” é um álbum importante pra gente, sem dúvida houve essa evolução. As composições tomaram um curso mais elaborado que o “Signo de Taurus”. Trazendo elementos mais harmônicos. Soma-se a mudança do vocal, o que nos trouxe outras referências pra gente.

RR - Pegando carona da questão anterior, o que faltou para que o Taurus estourasse assim como fez o Sepultura?
SB - Foram muitas conjunções que fizeram a abertura deles para o mundo. Naquele tempo, o Sepultura tinha uma potência e uma decisão incrível em levar aquilo como suas vidas, eles eram aquilo, e os admiramos por isso. Tomaram as decisões certas pra isso. Em nosso caso, nossas relações no meio não viabilizaram isso.

RR - O Rio de Janeiro foi sempre um forte produtor da cena HM no país, com nomes como Dorsal Atlântica, Azul Limão, Taurus, Metralion, dentre outras. Você acompanha a cena carioca nos dias de hoje?
SB - Acompanho, um pouco à distância. Mas mantenho principalmente a atenção pra as bandas que persistem, aquelas que vejo uma verdade no que fazem, sem ficar somente interessados na imagem, e nos negócios.

RR - Uma pergunta que sempre faço ao pessoal que praticamente começou a epopeia do metal no Brasil. Como você vê o momento atual do estilo em nosso país?
SB - Atualmente o movimento cresceu muito. Com isso mais bandas conseguiram consolidar suas carreiras, no Brasil e fora do país. Agora é comum vermos várias bandas brasileiras fazendo tours pela Europa, o que nos anos 80 não existia. Há um profissionalismo maior, inclusive de agências organizadoras dessas tours fora do país. Um mercado evidente no Brasil se fez com o metal, movimentando muito dinheiro, mas ainda há uma fatia em potencial mal explorada, vinda do underground dependendo de profissionalização de alguns segmentos, de produção de shows, e comunicação, é minha opinião. 

RR - Não querendo ser saudosista, mas sendo, nos anos 1980 existiam muitas dificuldades pra se ter banda. Equipamentos, shows, gravações. Mas a sensação era que ocorria com mais intensidade e constância. Pensando no hoje, com a facilidade da tecnologia, o acesso fácil às informações, como você vê os pontos positivos se comparado ao underground de três décadas atrás?
SB - Sem dúvida, agora é muito mais fácil pra uma banda gravar, e divulgar seu som. Antes, era preciso dar um passo de gigante, e poucos conseguiam. Ao mesmo tempo, a qualidade real dos músicos é muito camuflada com a tecnologia, algo que nos anos 80 não tinha jeito, se o cara tocasse mal, na gravação isso ia aparecer. Acho que a maquiagem dos anos 80 passou para as gravações.

RR - Qual o melhor e pior momento da trajetória do Taurus nesses últimos 30 anos?
SB - Muitos bons, shows memoráveis. Para citar um, em nosso retorno, depois de muitos anos parados, voltamos abrindo para o Testament no Canecão, foi marcante pra gente. Os shows atualmente são muito bons, e o público as bandas nos respeitam onde estivemos até aqui, isso não tem preço. Quanto ao pior momento, acho que foi não termos feito a abertura para o Metallica na primeira vinda deles ao Brasil (N.E. em 1989). Estava tudo em cima, com set list pronto, e não rolou, foi bem ruim.



RR - Em 2010 a banda voltou com um novo álbum de estúdio, “Fissura”, retomando as composições em português. Porque essa escolha de idioma?
SB - Com os shows do retorno, constatamos a força das músicas do “Signo de Taurus”, com as letras em português. O público vinha com a gente nas músicas de uma maneira incrível. Decidimos seguir em português, nossa língua. Acredito que conseguimos fazer um thrash em português decente. Gostamos disso.

RR - E como foi fazer o novo disco após mais de 20 anos do lançamento do “Pornography” (1989)? Como sentiu a aceitação dos fãs para do novo trabalho?
SB - Excelente!  As críticas e os fãs nos apoiaram muito, e foi tudo muito bem.

RR - Um DVD da banda seria muito bem-vindo. Existiria a viabilidade artística e econômica para uma empreitada dessas?
SB - Total! Estamos trabalhando nele agora. Fizemos no final de 2013 o projeto “Super Peso Brasil”, ao lado de ícones do Metal nacional cantado em português, Metalmorphose, Salário Mínimo e Centúrias. Lançaremos o show completo com CD ao vivo desse show. Será uma comemoração aos trinta anos da banda. Sairá em Setembro pela Urubuz Records.   



RR - O que podemos esperar do Taurus nos próximos anos? Algum novo álbum de inéditas?
SB - Já temos algumas feitas. Após o lançamento do DVD/CD ao vivo, vamos partir pra ele.

RR - Fique à vontade pra deixar uma mensagem a nossos leitores.

SB - Estamos vivos, e na estrada. Esperamos vê-los por aí. Podem nos encontrar também no www.facebook.com/TaurusThrashMetal. Força!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

OUDN – Nova força do metalcore nacional


O heavy metal brasileiro se desenvolveu em praticamente todos os subestilos surgidos. Alguns na forma de massificação, como o boom do thrash na virada dos 1980 para os 1990, tendo o Sepultura como seu maior expoente. Teve o Angra alavancando dezenas de bandas de metal melódico nas últimas duas décadas. A cena death metal no Brasil é bem forte e tem no Krisiun seu maior orgulho nacional. Além de muitas bandas de prog metal surgidas, com destaque para nomes como Mindlfow, Maestrick e Remove Silence. E o metalcore (como o rótulo possa entregar, uma mescla da sonoridade do thrash e metal industrial com a pegada agressiva do hardcore), estetizado nos Estados Unidos, em bandas como Killswitch Engage, Shadows Fall, Il Ninho e outros, tem no país seus dignos representantes. Um deles e que começa a fazer sua carreira deslanchar é o OUDN, oriundo da cidade de São José do Rio Preto-SP. Formada em 2013, a banda conta hoje com Gustavo Vernéchio e Thiago Silva (guitarras), Guilherme Priólli (baixo), Caio Pimentel (vocal) e Luiz Furquim (bateria). Já gravou um EP muito bem produzido e começa os planos para o lançamento de seu primeiro full-length. A Ready to Rock conversou com o guitarrista Gustavo sobre a trajetória da banda e seus próximos passos.


1) ReadytoRock - Primeiro a pergunta óbvia. Qual o significado do nome OUDN?
Gustavo Vernéchio - A banda chamava-se O Último De Nós, mas com a mudança das composições para o inglês e a troca de integrantes, achamos melhor aproveitar somente a sigla. Nos identificamos como Our Ultimate Dying Nightmare, mas a sigla soa muito mais aprazível e simples. Preferimos que o nosso som caracterize nosso nome e não o oposto.

2) RR - Quais as influências musicais dos integrantes?
GV - As influências musicais variam muito. Cada integrante leva em si um gênero especifico, por exemplo, Gustavo Vernéchio deathcore, Thiago Silva djent metal e metalcore, Caio new metal, Guilherme Priolli hardcore, Luiz Furquim thrash metal, new metal e prog.

3) RR - Se você fosse classificar a banda dentro de um estilo musical, qual seria?
GV - OUDN tem uma mistura de cada integrante, porém Deathcore/Metalcore é o estilo que mais adotamos para banda!

4) RR - Como a banda se formou?
GV – Ela foi fundada em 2013 por Gustavo Vernéchio. Em 2014 sofreu várias alterações na formação, sendo a principal delas a entrada do guitarrista Thiago Silva, que deu outras ideias de composições, sem fugir do propósito inicial da banda. Quando entrou o baixista Guilherme Priólli e vocalista Caio Pimentel, a banda começou uma nova fase com composições em inglês. Por fim, Luiz Furquim aceitou o convite para ser o novo baterista, pouco antes de gravar o primeiro EP. Em fevereiro de 2015, nós lançamos nosso primeiro EP.



5) RR - No Soundcloud da banda encontram-se cinco faixas muito bem produzidas. Onde vocês gravaram?
GV - O processo de gravação não foi tão simples. Antes de gravarmos, a principal preocupação era a qualidade do nosso trabalho. Por isso, antes de tudo, entramos em contato com Henrique Ferraz, (nosso produtor musical). Isso foi essencial para o amadurecimento das nossas composições. Ficamos alguns meses trabalhando nas nossas pré-produções no home estúdio do Henrique. Só depois que estava tudo como queríamos, entramos em contato com Willian Fróes (Estúdio Fróes) e gravamos o trabalho final.

6) RR - A faixa “Flying Dutchman” tem uma levada meio prog metal nos andamentos. Essa é uma linha apreciada pela banda?
GV - Sim, apreciamos várias vertentes do metal, mas não foi algo que planejamos no caso da "Fying Dutchman". Ela surgiu com muita naturalidade. Quando Thiago Silva apresentou a ideia inicial da música, em apenas algumas horas, já havíamos terminado sua estrutura, algo muito natural mesmo. Em nenhum momento imaginamos fazer algo com influência de prog metal. A música apenas flui e ficamos muito satisfeitos com a qualidade final!

7) RR - Já “Wrath of the Maker” flerta em alguns momentos com thrash metal tradicional. Fale-nos um pouco dessa faixa.
GV - Quando eu fiz a composição da musica, já sabíamos que seria algo mais agressivo, a ideia inicial era fazer uma música mais pesada e rápida com influências de death. Na minha pré-adolescência, escutei muito Pantera, Anthrax, Megadeth, Slayer e Kreator, isso pode ter influenciado na composição da música, mas não propositalmente. Quando compomos, nunca nos espelhamos em músicas ou gêneros específicos!

8) RR - Interessante a inclusão de teclados no metal agressivo praticado pela banda. Acredita ser um diferencial para a sonoridade do OUDN?
GV - A ideia inicial não era ser uma banda temática, quando começamos a gravar nossas "prés" com Henrique Ferraz, que sentimos a necessidade de ser uma banda temática pelo conselho do nosso produtor. Sim, acreditamos que seja um grande diferencial para OUDN!

9) RR - Como foi a produção para o clip de “The Reaper”?
GV - A edição de vídeo foi feita por mim e a legenda pelo Willian Fróes. Todas as imagens contidas no vídeo são reais da segunda guerra mundial.




10) RR - Planos para o lançamento de um CD completo.
GV - Com certeza! Já estamos trabalhando nisso.

11) RR - Na sua visão quais as dificuldades de uma banda domiciliada no interior de São Paulo em se projetar Brasil afora?
GV - Todas as possíveis e imagináveis. O sistema joga contra você o tempo todo. A situação no país como um todo já é caótica, quando se trata então do berço do sertanejo atual, tudo fica dez vezes mais complicado. Temos plena noção que o caminho é áspero e árduo, mas isso não nos intimida de maneira alguma.

12) RR - O que você pensa sobre a cena do rock/metal de Rio Preto?
GV - É uma cidade que luta bastante para se destacar. Temos a Maestrick que conseguiu assinar com uma gravadora no exterior, e temos uma nova onda de composições autorais em diversos estilos. Infelizmente ainda existe uma dependência de covers para que os artistas possam se manter e investir, mas a produção autoral tem galgado seu espaço e ficamos felizes em estar contribuindo com isso.

13) RR - Quais suas expectativas com relação ao futuro do OUDN?
GV - Nós esperamos lançar nosso CD em breve, com umas 10 ou 12 músicas, e conseguir vender um show autoral com cerca de uma hora e meia. A partir disso, queremos buscar nosso espaço no cenário nacional e até na internacional.

14) RR - Fique à vontade pra deixar um recado aos leitores
GV - Continue firme conosco, temos excelente material saindo e vamos conquistar o mundo! Contamos com vocês nessa caminhada rumo ao topo, seja no Brasil ou em outro país! Muito obrigado pelo apoio e consideração!


Mais informações acessem: https://www.facebook.com/oudnofficial e https://soundcloud.com/oudnofficial